Versão Audio Descritiva 5ª EDIÇÃO MARÇO/2017 - ANO II

No mês em que é celebrado o Dia Internacional da Síndrome de Down, é preciso discutir sobre a questão da inclusão no mercado de trabalho e reforçar a importância de visibilizar os direitos que devem ser dados a todas as pessoas.

Cromossomos diferentes, direitos iguais!
Eu incluo
Marcella Novaes de Araújo
Gerente de RH da Agropalma
“A Agropalma atende a cota de contratação de pessoas com deficiência há 2 anos, possuindo 203 funcionários neste perfil. Além de trabalhar a inclusão, o mais importante deste processo é propiciar qualificação para as pessoas, para que sejam reconhecidas pelo profissionalismo. Não queremos apenas cumprir cotas, mas sim capacitar as pessoas, para que elas tenham orgulho do que fazem e de pertencer a uma equipe. A existência de cotas é um
mero detalhe. Nosso foco é propiciar experiências e dar o apoio necessário para que estas pessoas desenvolvam carreira e ocupem cargos estratégicos na empresa”.
Coordenador Metodológico e 
o Currículo Inclusivo
Arinalda Gomes
SENAI DR/PA

O Coordenador Metodológico (CM) como líder de um comitê responsável em construir um desenho curricular inclusivo, deve em primeiro lugar conhecer o que preconiza a Legislação Educacional vigente, a estrutura do Sistema Educacional, a Declaração dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiênciae seu Protocolo Facultativo de Acessibilidade (em todas as acepções do termo) inclusão, direito à educação,ao trabalho e a equiparação de oportunidades, elaborado pela ONU, em 1993. Deve estar em acordo com outras Leis relacionadas a diversidade e Normas voltadas para acessibilidade.

Segundo Sassaki (2012), “um currículo realmente inclusivo deve contemplar a diversidade em todas as dimensões: comunicacional, arquitetônicas, metodológica, instrumental, programática, atitudinal e natural”.

Os espaços educacionais devem ser arquitetonicamente acessíveis, metodologias, recursos, meios de comunicação e estratégias pedagógicas devem contemplar a diversidade, assim como o modelo curricular, o sistema de avaliação e a certificação.

É com esse propósito que o Coordenador Metodológico deve atuar e tornar o Desenho Curricular apropriado às peculiaridades dos alunos com deficiência, propondo um currículo dinâmico, flexível, passível de adequações relativas aos objetivos e conteúdos, adequações avaliativas de procedimentos didáticos e na temporalidade das atividades, sempre que necessário, de forma que atenda a todos. Nessas características ele deve propor alternativas de recursos e práticas educacionais que favoreçam a participação ativa dos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, nos desafios à aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados de ensino.

Pode-se considerar que as condições de acessibilidade disponibilizadas ao aluno com deficiência e o processo de ensino e aprendizagem a ele oferecido é que possibilitam sua verdadeira inclusão na sociedade e consequentemente no mundo do trabalho. Portanto o CM deve incorporar os princípios de acessibilidade, o reconhecimento das diferenças e a conscientização acerca da garantia da igualdade de oportunidades dos direitos humanos, em seu cotidiano, para que seja capaz de elaborar um Desenho Curricular com todas as características inclusivas.

Essa prática vem sendo desenvolvida pelo SENAI desde 2000 com a criação do “Projeto Nacional de Inclusão das Pessoas com Necessidades Especiais nos programas de Educação Profissional e no Mercado de Trabalho, cujo objetivo principal era a promoção do acesso e a inclusão de pessoas com deficiência nos cursos de educação profissional. Em 2001, com os resultados significativos e a adesão de todos os estados o Projeto se torna Programa SENAI de Ações Inclusivas (PSAI), que pela sua brilhante trajetória é considerado hoje o mais importante programa em curso na área de Educação Profissional inclusiva no Brasil.

 

21 de março: Dia de conscientizar sobre a Síndrome de Down

No dia 21 de março, o Brasil e mais 40 países celebram o Dia Internacional da Síndrome de Down. A data (21/3), inteligentemente escolhida, faz referência aos 3 cromossomos número 21 que definem que uma pessoa tenha a Síndrome. O dia tem como objetivo dar

ampla visibilidade aos direitos dessas pessoas, conscientizando a população sobre a importância da promoção dos direitos inerentes às pessoas que nasceram com a Síndrome de desfrutar uma vida plena e digna, como membros participativos em suas comunidades e na sociedade.

 

De acordo com o Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 45 milhões de pessoas possuem alguma deficiência física ou mental no Brasil. Destas, estima-se que 300 mil tenham Síndrome de Down, que ocorre com uma prevalência de 1 para cada 600 nascimentos aproximadamente. Os dados do (IBGE), ainda referentes ao Censo 2010, evelam também que 25 brasileiros com Síndrome de Down estão matriculados em curso superior ou já concluíram, sendo que todo ano entre 50 e 60 pessoas com a Síndrome iniciam um curso profissionalizante.

 

O SENAI Pará, por meio do Programa SENAI de Ações Inclusivas (PSAI) promove campanhas de inclusão, workshops, encontros, além das adequações de cursos para pessoas com deficiência. “Nosso objetivo é sempre proporcionar que todos tenham uma profissão e, consequentemente, aumentem suas chances de inclusão e ascensão no mercado de trabalho”, diz Flora Barbosa, gestora

de Responsabilidade Socioambiental do SENAI Pará.

 

O trabalho tem dado frutos. O SENAI premiou um estudante com síndrome de Down na última Olimpíada do Conhecimento, maior competição de Educação Profissional das Américas, realizada em Brasília em novembro de 2016. Victor Almeida, de 23 anos, conquistou a medalha de bronze na categoria Padeiro para Pessoa com Deficiência. “Essa conquista foi uma prova de que, com trabalho e amor, a pessoa com deficiência é muito capaz de desenvolver suas habilidades e ser útil no processo produtivo”, destaca Flora. As celebrações do dia 21 ao redor do mundo incluem conferências, seminários, sessões solenes, encontros, caminhadas, exposições, mostras de filmes. O Brasil, desde o primeiro ano que a data foi comemorada, foi um dos países que mais se destacou na realização de eventos comemorativos com milhares de eventos espalhados em diversas cidades do país.

 

A pessoa com Síndrome de Down está presente, em plena atividade, nos mais variados setores da sociedade. Elas são empenhadas e, quando têm oportunidade, surpreendem com suas habilidades. Para que esses talentos sejam cada vez mais descobertos e disseminados, é preciso olhar com os olhos da inclusão. É preciso olhar com o coração.

A mulher vem conquistado seu espaço com muita luta e competência. Neste mesmo rumo, as mulheres com deficiência querem mostrar que têm muito a oferecer para o mercado de trabalho. Só precisam de oportunidades.

Amanda Melissa Esparano

Entrevista com Amanda Melissa Esparano, coordenadora de Gestão com Pessoas do Instituto Francisco Perez. Você acha que ainda há muita desigualdade de gênero no mercado do trabalho em geral? Não vou afirmar que existe muita desigualdade, mas sim que existe um preconceito sobre capacidade intelectual da mulher, considerando-a inferior, frágil diante de tomada de decisões e com emoções afloradas diante de aspectos racionais. O reflexo disso vem através dos cargos disponibilizados e principalmente a desigualdade salarial, quando muitas vezes, no mesmo perfil de cargo, o salário do homem é maior que o da mulher. Considera mais difícil para mulheres de países em desenvolvimento como o Brasil serem bem-sucedidas?
Ainda temos uma cultura predominantemente machista nos países em desenvolvimento e, em consequência, as melhores oportunidades ainda estão voltadas para o homem. Mas estamos conseguindo mudar as regras deste jogo de força e poder.
Você percebe que as mulheres nos últimos anos vêm ocupando lugares importantes e até substituindo homens em alguns setores?
Sabemos que está aumentando a proporção de mulheres com idade economicamente ativa no mercado de trabalho, cada vez mais em busca de qualificação e seu espaço. A mulher tem um perfil empreendedor maior que o do homem e gera renda para sua família mesmo informalmente, e este ponto muitas vezes não é levado em conta como estatística, são invisíveis, não mensuráveis. Entendo que lugares importantes é relativo. Sabemos através da mídia que mulheres ocupam vaga como pedreiros, soldadoras, pintoras, cargos da construção civil, áreas tradicionalmente ocupadas por homens, mas que cada vez mais são valorizadas pelo perfil detalhista feminino. Há muitas mulheres com deficiência no seu ambiente de trabalho?
60% das vagas de PCD são ocupadas por mulheres, entre as quais temos os seguintes cargos: recepcionista, telefonista, enfermeira e técnica de enfermagem. Como é a convivência delas com outros funcionários?
Temos que promover um local de trabalho seguro, acessível e saudável para todos, temos que promover a adoção de medidas especiais positivas, que visem estabelecer igualdade efetiva de oportunidades e de tratamento no trabalho para pessoas com deficiência. O código de ética e de conduta é único para todos os colaboradores, assim temos uma convivência harmônica, sem diferenças. Quais os benefícios dessa inclusão pra você?
Toda diversidade é positiva. Tenho como premissa que os benefícios são muitos, pois a inclusão contribui para trazer dignidade as pessoas. Ao incluir o PCD, não estamos apenas ofertando um salário, mas também a oportunidade de se reabilitar socialmente e psicologicamente. O exercício profissional traz consigo a interação com outras pessoas, o sentimento de cidadão produtivo, a possibilidade de fazer amigos, de pertencer a um grupo social. Até o status adquirido junto à própria família muda para melhor. Sem contar que a presença de pessoas com deficiência no mercado de trabalho contribui para humanizar mais a empresa e enriquecer o ambiente corporativo com visões e experiências diversificadas.
Unidades do SENAI
celebram o Dia da Mulher

Uma série de atividades marcou o Dia da Mulher em diversas escolas do SENAI no Pará.

Em Marabá, alunas do curso de Costureiro confeccionaram 500 flores a partir de sobras de tecido e a produção foi distribuída, no dia 8 de março, para mulheres das indústrias do município, comunidade em geral e alunas e funcionárias desta escola. A escola também ofertou

o curso de Costureiro de Máquina Reta e Overloque exclusivamente para mulheres, visando a

inclusão, qualificação e inserção no mercado de trabalho.

 

Com o tema “A valorização da mulher no mercado de trabalho”, o SENAI Bragança promoveu momento informativo e interativo com as mulheres da comunidade, alunas e funcionárias. A programação contou com oficinas, palestras e workshop nos laboratórios da escola, além de momentos de lazer. Em Paragominas, houve uma oficina de auto maquiagem, palestra sobre Empregabilidade

e orientação sobre alimentação e qualidade de vida e em Barcarena, como ocorre em todos os anos neste período, será ofertado o curso de Segurança na Sinalização para a Movimentação de cargas – Rigger para mulheres, em parceria com a Coordenadoria Municipal de Mulheres e Delegacia das Mulheres de Barcarena.

 

Já na unidade do SENAI Cametá, foi realizada palestra com foco no combate à violência contra a mulher. O evento, que contou com excelente público, foi uma iniciativa em conjunto com a Superintendência Regional do Baixo Tocantins, da Polícia Civil e do SENAI do município. Em Santarém, as mulheres participaram de uma tarde de homenagens, sessão de beleza, orientações sobre saúde,

palestras e sorteios de brindes.

 

GAL -GRUPO DE APOIO LOCAL. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS