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Sistema FIEPA forma grupo de trabalho para defender o “pré-sal” da Amazônia

Sistema FIEPA forma grupo de trabalho para defender o “pré-sal” da Amazônia

Sistema FIEPA forma grupo de trabalho para defender o “pré-sal” da Amazônia

Para discutir a exploração de óleo e gás na Amazônia, o Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), por meio dos seus Conselhos Temáticos de Infraestrutura e de Meio Ambiente, e a Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema) promoveram nesta terça-feira (08) uma reunião com representantes do setor produtivo da região, governo do Estado, acadêmicos e demais instituições interessadas no tema. O evento contou com a parceria da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Estado do Pará (Sedeme) e a participação da Secretaria de Estado da Fazenda (SEFA).

O encontro buscou estabelecer um grupo de trabalho (GT) para ampliar e aprimorar os debates sobre as reservas localizadas em águas profundas e ultraprofundas no litoral do Amapá, Maranhão e Pará, que já vêm sendo chamadas de novo Pré-Sal, devido ao seu potencial e magnitude equiparados ao do Pré-Sal das Bacias de Santos e Campos. De acordo com estudos realizados na área, os recursos prospectivos recuperáveis riscados estimam que existam 10 prospectos na ordem de 20 a 30 bilhões de barris de óleo no local.

O presidente do Sistema FIEPA, José Conrado Santos, afirmou durante o evento que o momento é propício para pensar em novas possibilidades de desenvolvimento para a região. “Precisamos nos voltar para as possibilidades de negócios que temos aqui na Amazônia para aproveitar melhor as nossas potencialidades. Para isso, temos que nos unir e nos alinhar com nossos parlamentares do Pará, do Maranhão e do Amapá, para que juntos, a gente possa vencer os desafios que cercam esse tema e dessa forma a trazer mais desenvolvimento para todos os setores do nosso Estado e de toda a Amazônia”, pontuou Conrado.

O representante da TGS, empresa que atua no fornecimento de dados para subsidiar investimentos na indústria de energia e em estudos exploratórios do empreendimento na região, João Correa, contou que a empresa investe na região desde 2015, por acreditar no potencial da área e que os estados que abrigam as reservas de óleo e gás precisam se unir para que atuem como protagonistas desse desenvolvimento. “Tem que haver uma representatividade da região, com o envolvimento da academia, da indústria local e de todos os afetados, para evitar que outros decidam sobre o destino que terão estas riquezas que se encontram nas bacias da margem Equatorial, de forma que possam ser aproveitadas e transformadas em benefício para a sua sociedade”, avaliou Correa.

Durante o encontro, o geólogo, mestre e doutor em energia, Estanislau Luczynski, explicou que as discussões sobre a exploração de óleo e gás natural já existem há mais de 20 anos e o ponto positivo que se destaca hoje é a contribuição que a Amazônia pode dar para a matriz energética nacional. “Hoje, em concordância ao Acordo de Paris, até 2050 devemos incorporar cada vez mais energias verdes em nossa matriz, mas as energias verdes não existem sem a mineração e sem a transição desses combustíveis fósseis, que nós utilizamos hoje em dia, para combustíveis fósseis menos poluentes, para finalmente a gente poder incorporar energia eólica ou solar. Então, o petróleo leve que estimamos que exista aqui na região pode dar essa contribuição na transição em direção aos abjetivos do Acordo de Paris”, defendeu Luczynski.

Também participou do encontro na FIEPA o geólogo Allan Kardec Barros, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), um dos autores da nota técnica sobre a margem equatorial brasileira intitulada “Um novo Pré-Sal no Arco Norte do Território Brasileiro?”. O documento afirma que “se confirmadas as expectativas, especialmente os Estados do Maranhão, Pará e Amapá, poderão se beneficiar de vultosas receitas diretas (tributos e royalties) e indiretas (desenvolvimento industrial e do setor de serviços, com expressiva geração de empregos) que poderiam ser geradas pela exploração e produção petrolífera”.

Na ocasião, a coordenadora do Centro Internacional de Negócios (CIN/FIEPA), Cassandra Lobato, apresentou um resumo dos reflexos da atividade petrolífera na economia brasileira, ratificando a importância da exploração de óleo e gás para os Estados amazônicos. “A participação dessa atividade nas exportações brasileiras cresceu nos últimos anos e, com a recuperação dos preços, o petróleo e seus derivados, assumiram a segunda colocação no ranking de participação das exportações em 2018, com robusto crescimento tanto do valor quanto do volume exportado”, pontuou Lobato durante a reunião.

Um dos impasses que devem ser tratados pelo GT a partir de agora, será a inclusão dos blocos nos próximos leilões de concessão da ANP, após terem sido retirados da 17ª Rodada de Licitações, em função de uma análise de viabilidade ambiental feita pelo Ibama, na qual o órgão ambiental exigiu estudos mais aprofundados e emissão de novo parecer ambiental na área. Para o doutor em engenharia de produção e especialista em petróleo e gás, Antonio Batista, a exploração na área equatorial é uma corrida contra o tempo. “Tudo começa com o leilão, porque somente após esta etapa será possível termos uma perspectiva de pelo menos 15 anos, para o início da produção de petróleo e com a transição energética, cada ano que passa, nossa janela se estreita cada vez mais. Então, a nossa causa maior agora é lutar para que os blocos da Foz do Amazonas sejam incluídos nos leilões”, defendeu o engenheiro.

Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), José Fernando Gomes Júnior, o assunto é prioritário para o governo do Estado, que tem total interesse no avanço das negociações para a exploração das bacias de óleo o gás na Amazônia. “Estamos juntos com todos aqui para que esse assunto avance e gostaria de reforçar o apoio e compromisso do governador Helder Barbalho, para que aconteça esse momento histórico, de atração de investimentos”, reforçou o secretário.

“Sempre é bom pontuar que nossos municípios oceânicos com recursos advindos da exploração do petróleo poderão cuidar melhor do seu meio ambiente porque, afinal o maior inimigo da preservação ambiental é a miséria. Por isso, essa casa aqui, a FIEPA, está aberta para esse tipo de discussão porque nosso interesse maior é trazer desenvolvimento para a nossa região e para garantir que o assunto será tratado de forma séria, precisamos contar com profundos estudos acadêmicos, para evitar a desinformação e avançar nessa demanda que é de suma importância para a nossa região e para o nosso País.”, afirmou José Maria Mendonça, presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da FIEPA (Coinfra) e vice-presidente do Sistema FIEPA. 

 

Acesse:

Nota-Técnica-sobre-a-margem-equatorial-brasileira

O Estado do Pará e o desenvolvimento das bacias sedimentares da Região Norte

 Nota técnica - Grupo de trabalho Petróleo e Gás Natural

 

 

 


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