BAS 2026 reforça bioeconomia como agenda estratégica para a Amazônia
- 12 de mai.
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O fortalecimento da bioeconomia como eixo estratégico de desenvolvimento para a Amazônia marcou a abertura do Bioeconomy Amazon Summit (BAS) 2026, realizada nesta terça-feira, 12, no Teatro Maria Sylvia Nunes, na Estação das Docas, em Belém. Considerado um dos principais encontros voltados à inovação, empreendedorismo e desenvolvimento sustentável da região, o evento reúne representantes do setor produtivo, investidores, organismos internacionais, pesquisadores, comunidades tradicionais e lideranças públicas e empresariais.

A Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), apoiadora da iniciativa, foi representada na cerimônia de abertura pela vice-presidente executiva, Marcella Novaes. Ela ressaltou que a presença no BAS está alinhada ao trabalho que a Federação vem desenvolvendo nos últimos anos, em torno de uma agenda de desenvolvimento sustentável para a Amazônia.
“A bioeconomia foi — e continua sendo — um dos pilares centrais de um movimento que a Federação das Indústrias vem liderando antes mesmo da realização da COP30, no ano passado, em Belém. A Jornada COP+”, afirmou. Segundo Marcella Novaes, a indústria paraense compreende que a Amazônia precisa ocupar um novo espaço no debate internacional, não apenas como território de preservação, mas como fonte de soluções econômicas e sustentáveis para o mundo.
“A indústria paraense entende que a solução para a Amazônia está na própria Amazônia. Está nos empreendedores amazônidas que conhecem o território, no conhecimento acumulado pelas populações tradicionais, na ciência produzida aqui e na capacidade de inovar a partir da floresta em pé”, destacou Marcella.
Criado pela gestora de investimentos KPTL em parceria com a Kyvo, o BAS foi lançado em 2023, e realizado, pela primeira vez, em Belém, em 2024. Agora, na terceira temporada, o evento triplicou de tamanho, ampliando o número de empreendedores, instituições parceiras e participantes envolvidos na agenda da bioeconomia amazônica.
Nesta edição, mais de 120 empreendedores da Amazônia Legal estão presentes em Belém, selecionados pelo Jornada Amazônia, BAS e instituições parceiras. O encontro também reúne representantes de comunidades tradicionais, investidores, pesquisadores, bancos de desenvolvimento, organismos multilaterais e lideranças empresariais em torno da construção de soluções voltadas ao desenvolvimento sustentável da região.
O diretor executivo do BAS, Guilherme Chamenini, destacou a importância de consolidar a bioeconomia como prioridade. “O setor produtivo precisa investir cada vez mais nesse debate. A bioeconomia precisa ocupar uma posição definitiva de política pública prioritária. O BAS chega à sua terceira temporada mostrando que essa agenda amadureceu e ganhou escala”, afirmou.
Segundo Chamenini, o encontro foi concebido para ir além das discussões teóricas e aproximar os diferentes atores envolvidos na construção de soluções para a Amazônia. “O BAS é muito mais um espaço de educação, conexão e construção prática do que apenas um espaço de fala. Nosso objetivo é criar convergência entre quem empreende, quem investe, quem produz conhecimento e quem vive a Amazônia diariamente”, destacou.
A secretária de Bioeconomia do Pará, Camille Bemerguy, também ressaltou o papel estratégico da bioeconomia para o desenvolvimento do estado. “O Pará acredita profundamente nessa agenda. Estamos construindo políticas públicas e instrumentos financeiros, fortalecendo ambientes de inovação e promovendo articulações institucionais capazes de posicionar a bioeconomia como um eixo estratégico — não apenas como uma agenda ambiental, mas como uma agenda econômica, social, territorial e climática”, afirmou.
A secretária nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Carina Pimenta, participou da palestra de abertura do evento e apresentou reflexões sobre o Plano Nacional de Bioeconomia, lançado pelo governo federal em abril deste ano. Segundo ela, o plano busca estruturar uma visão estratégica de médio e longo prazo para o país, baseada na integração entre ciência, tecnologia, inovação e desenvolvimento sustentável.
“Esse tema clássico sempre esteve muito ligado à forma como o Brasil se posicionava internacionalmente, especialmente a partir de uma agenda de bioenergia alinhada ao conceito global de bioeconomia, profundamente conectado ao desafio da descarbonização. Hoje, o grande desafio da humanidade é justamente reduzir emissões, e a bioeconomia surge internacionalmente muito associada a essa transformação”, afirmou.
Carina destacou que, no contexto brasileiro, o conceito de bioeconomia ganhou uma dimensão mais ampla, especialmente a partir das contribuições da Amazônia durante a construção do plano federal. “A voz da Amazônia teve um papel central dentro da construção do plano federal de bioeconomia. Houve uma demanda clara dos territórios amazônicos para que essa agenda incorporasse as realidades locais, e isso foi acolhido”, ressaltou.
A secretária ressaltou ainda que os bioprodutos fazem parte de uma estratégia mais ampla de industrialização sustentável do país. “Também escolhemos os bioprodutos como parte essencial do processo de industrialização do Brasil. E isso só é possível quando reconhecemos a realidade dos povos e comunidades tradicionais, que historicamente nunca tiveram políticas de desenvolvimento econômico verdadeiramente associadas aos seus territórios e às suas formas de viver”, afirmou.
A programação do BAS é construída de forma colaborativa por mais de 30 curadores com atuação nas áreas de inovação, meio ambiente, bioeconomia, investimentos, ciência e empreendedorismo. Entre os participantes confirmados estão delegações do Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Corporação Andina de Fomento (CAF), Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), GIZ, KfW e BNDES. O evento também conta com representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Associação Brasileira de Venture Capital e Private Equity (ABVCAP), Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e da Associação Nacional dos Bancos de Investimento.
Mais de dez gestoras de investimento participam da programação em busca de oportunidades para alocação de capital em projetos ligados à bioeconomia e à inovação sustentável na Amazônia.






