Dependência na importação de fertilizantes fragiliza modelo econômico brasileiro

Publicado em 25/02/2019 16:02h

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Dependência na importação de fertilizantes fragiliza modelo econômico brasileiro

O Brasil ocupa o 4º lugar no ranking mundial do consumo de fertilizantes e tem participação de apenas 2% da produção mundial. O fato de não ser autossuficiente na produção onera fortemente a balança comercial do País e causa uma dependência que pode prejudicar o agronegócio, uma das principais atividades produtivas. O assunto foi apresentado durante o Workshop Rochagem e Remineralização, ocorrido na Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA). O evento foi realizado pela FIEPA, Federação da Agricultura do Estado do Pará (FAEPA), Centro das Indústrias do Pará (CIP) e Instituto de Geociência da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Uma das palestrantes do evento, a professora doutora Suzi Ruffi Theodoro, explicou que a rochagem é a atividade industrial de produzir pó, a partir da moagem de determinados tipos de rochas, as quais, em função das suas propriedades químico-mineralógicas, podem servir como remineralizadoras de solos para uso na agricultura e na pecuária, substituindo com vantagens os insumos hoje importados.

“É uma nova rota tecnológica, a qual pode ser largamente utilizada no país, mas que ainda é muito pouco conhecida e menos ainda empregada”, disse ela. Além do fato de ser dependente da produção internacional de fertilizantes, cuja metade do consumo é da Índia e da China, outra vulnerabilidade levantada pela pesquisadora em relação ao Brasil é que o País não é formador de preço, ficando assim à mercê de uma decisão vinda de fora. Tanta dependência, alegou a pesquisadora, enfraquece a economia brasileira. “Se houver algum conflito mundial, ficaremos com nosso principal modelo de produção fragilizado”, alertou.

A professora doutora disse que apesar do uso de pó das rochas como remineralizadores ainda não ter sido amplamente difundido, o Brasil possui um grande potencial, visto que já regulamentou o uso, comercialização e fiscalização desses materiais em 2013; detém uma extensa geodiversidade (que amplia a oferta regional/local), diminuindo custos de transporte; e possui ainda um grande número de minerações (de vários portes), as quais representam um grande potencial de oferta de materiais já explorados e parcialmente beneficiados.

Um dos principais desafios também já está sendo vencido: é que, inicialmente, contou Suzi, alguns técnicos e agricultores não acreditavam nos resultados e efeitos desse insumo na prática agrícola. Isso está sendo superado pelos resultados obtidos, pela facilidade do manejo, pelos custos (ambientais e econômicos) e adequação às necessidades e particularidades da agricultura tropical. Os próximos passos agora, diz a professora, são a criação de políticas públicas para que os agricultores utilizem o material, a abertura de créditos para a aquisição de remineralizadores e a superação do custo de transporte de material, um problema comum no Brasil, que pode inibir o uso em função do custo e das distâncias.

“Estamos em um processo de dependência muito grande, então precisamos encontrar outra alternativa. O objetivo é ocupar uma parte desse mercado, porque isso nos traz segurança do ponto de vista econômico e de sustentação da agricultura brasileira”, pontuou Suzi.

De acordo com o vice-presidente da FIEPA e presidente do CIP, José Maria Mendonça, a discussão é importante, justamente porque o Pará é um estado com vocação e diversidade mineral. “Temos que aproveitar as potencialidades que os minérios nos oferecem, com sustentabilidade social e econômica. Precisamos criar um ambiente de negócios saudável”, destacou.

Além da palestra da professora doutora Suzi Theodoro, o workshop contou também com a palestra do professor doutor Francisco Matos de Abreu, da UFPA, que apresentou os cursos de pós-graduação e extensão do Instituto de Geociências da universidade, e ainda com a palestra do professor doutor André Mundstok Xavier Carvalho, da Universidade Federal de Viçosa (MG), que apresentou os resultados de pesquisas nas quais foram utilizados na prática o pó de rocha como remineralizador.

 

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