Embargo afeta área livre de pragas e preocupa produtores de laranja no Pará

Publicado em 20/11/2018 09:15h

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Embargo afeta área livre de pragas e preocupa produtores de laranja no Pará

Responsável por cerca de 8 mil empregos em cinco municípios, o Polo de Citricultura do Pará está preocupado com uma resolução do Ministério da Agricultura, que declara o Estado como Área sob Quarentena para a Bactrocera carambolae, popularmente conhecida como a mosca da carambola. Datada de 26 de outubro, a resolução no 4 foi publicada no Diário Oficial da União no dia 29 de outubro.

Apesar do nome, a mosca da carambola afeta outras culturas, como a banana, acerola, melão e laranja. Suas larvas não representam problema para a saúde humana, mas fazem com que os frutos apodreçam rapidamente. De acordo com Júnior Zamperlini, diretor das empresas Citropar e Zampa, a área dos cinco municípios que compõem o polo está livre da praga. O que ocorreu é que o estado do Amapá já sofre o embargo há algum tempo e os municípios paraenses de Breves, Almeirim e Melgaço, que são próximos ao estado vizinho, registraram casos, o que levou o Ministério da Agricultura a editar a resolução, que impede que frutas classificadas como hospedeiras da mosca da carambola saiam do estado do Pará. “Depois dessa resolução, nossa fruta tem que ser consumida aqui, mas não temos mercado suficiente”, observa Júnior.

Os produtores de laranja paraenses estão preocupados com o prejuízo e estão agindo para reverter a situação. Semana passada, o Ministério da Agricultura realizou visita técnica aos municípios do polo: Garrafão do Norte, Capitão Poço, Ourém, Irituia e Nova Esperança do Piriá. “Estamos trabalhando agora para provar a eles que nós não registramos casos da mosca da carambola e que tomamos medidas para não deixar essa mosca se alastrar no Estado”, explica Júnior, acrescentando que existem armadilhas para detectar a mosca e técnicas desenvolvidas por especialistas para que elas não se proliferem.

O vice-presidente da FIEPA, Sidney Rosa, destaca que o polo tem um grande potencial de expansão e que devido ao clima e posição geográfica do Pará, produz uma laranja de altíssima qualidade. “A missão da FIEPA é impulsionar as indústrias que já existem e principalmente atrair novas para o Estado do Pará. Um grande passo foi dado agora, com a primeira indústria de cítricos do Norte do Brasil. A inauguração da Zampa, em agosto, agrega valor à fruta in natura e impulsiona o plantio da área, que hoje é de 16 mil hectares, para 200 mil hectares, daqui a 15 anos. Não precisa haver desmatamento para isso, porque há muitas áreas de fazenda que vão mudar de pastagem para plantio de laranja e limão”, destacou, enfatizando ainda que, da área atualmente plantada, cerca de 6 mil hectares são de grandes produtores e o restante pertence a 4 mil pequenos produtores.

Outro desafio do polo apontado pelo vice-presidente Sidney Rosa é a exportação do produto. “Com o início da produção de concentrado, a indústria cítrica do Pará passa pela via crucis que todos os exportadores passam no estado do Pará: custo alto e deficiência no atendimento em Vila do Conde. A FIEPA vai formar uma câmara com outros exportadores, além da indústria, para que possamos trazer para cá os mesmos níveis de custos e operacionalidade do Sul do Brasil”, finaliza Sidney Rosa.

Sobre a mosca da carambola – De acordo com a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (ADEPARÁ), a praga Bactrocera carambolae, conhecida como mosca da carambola, é originária da ilha de Java, na Polinésia, e foi introduzida no continente americano provavelmente por via aérea, espalhando-se pelo Suriname, Guiana Francesa e atingindo o Brasil, via estado do Amapá, em 1995.

A mosca da carambola ataca cerca de 21 frutas, ditas hospedeiras da praga. Segundo a ADEPARÁ, os municípios do polo no Nordeste Paraense estão constantemente monitorados para a praga da mosca da carambola e para o cancro cítrico, uma outra praga que pode afetar a produção de laranja.

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