Seminário internacional debateu a questão dos resíduos sólidos em Belém

Publicado em 25/06/2018 11:19h

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Seminário internacional debateu a questão dos resíduos sólidos em Belém

O custo ambiental do Lixão do Aura é superior a US$ 140 milhões por 20 anos; a tonelada de resíduos descartados é de cerca de 20 dólares e o fechamento do lixão cria um benefício indireto (ou perdas evitadas) de US$ 7 milhões / ano. Estes dados foram apresentados por Haris Kamariotakis, representante da International Solid Waste Association (ISWA) durante o “Seminário Internacional de Resíduos Sólidos na Amazônia: Oportunidades e Negócios”, realizado nesta segunda-feira (25), na Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), por meio dos Conselhos de Meio Ambiente e Infraestrutura, e pelo Centro das Indústrias do Pará (CIP).

 O encontro reuniu especialistas locais e internacionais para um debate sobre as experiências e os desafios de implementação de políticas de resíduos sólidos como a urgente necessidade da redução do descarte excessivo, que envolve os geradores de resíduos sólidos. O representante da ISWA, única associação mundial que atua exclusivamente para o setor de resíduos sólidos, apresentou experiências positivas da administração dos resíduos sólidos em países em desenvolvimento, com realidades mais próximas às do Brasil. O principal objetivo da organização é proporcionar a troca de experiências em âmbito global em todos os aspectos da gestão de resíduos sólidos, através da pesquisa e implementação de ações. Apesar dos exemplos, Haris é enfático ao afirmar que as aplicabilidades das políticas devem se adequar à sua realidade.

“Os cases de sucesso podem servir de inspiração para a gestões que precisam de algum tipo de direcionamento para iniciar o processo de descarte eficiente de seus resíduos, mas cada situação deve ser estudada com suas especificidades. Não adianta ao Pará, por exemplo, querer copiar modelos europeus se não tem as mesmas tecnologias ou mesmo os recursos para adquiri-las. É preciso trabalhar sempre com a sua realidade”, destacou Haris.

 A discussão realizada na FIEPA envolveu representantes de prefeituras, empresários, Ministério Público e associações envolvidas com a questão. De acordo com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Obras Pùblicas (SEDOP), que coordena no estado a política e o planejamento da área de Saneamento, que inclui o tema de Resíduos Sólidos, são produzidos, diariamente, 800 gramas de resíduos por habitantes. Em Belém, a prefeitura mapeou 600 pontos de descarte irregular que já são alvo de fiscalização. Este descarte irregular, segundo a Prefeitura de Belém, custa R$ 2 milhões por mês à gestão municipal.

No aterro sanitário de Marituba, que é uma solução tecnológica ambientalmente adequada para o tratamento e destinação final de resíduos, e é administrado pela Unidade de Valorização Sustentável (UVS) Guamá, são tratados mensalmente cerca de 40 mil toneladas de resíduos domiciliares adequadamente para a Região Metropolitana de Belém. Angelo Castro, diretor da unidade, explicou que um dos principais diferenciais do aterro sanitário em relação aos lixões é a impermeabilização das células onde o resíduo é depositado. O aterro sanitário é impermeabilizado com dupla camada, uma de argila compactada e uma camada de manta geomembrana PEAD, os resíduos são compactados e cobertos com solo e manta. Os gases, chorume e efluentes gerados pela decomposição dos resíduos são captados, armazenados temporariamente e tratados, evitando impactos ao meio ambiente. Controles ambientais para o monitoramento de águas subterrâneas e profundas são acompanhados regularmente evidenciando a eficiência ambiental do aterro sanitário como uma solução adequada para a disposição final de resíduos domiciliares.

Soluções que custam caro. Desde a implantação em 2015 foram investidos R$ 30 milhões em modernos equipamentos e a atuação de engenheiros especialistas, técnicos e representantes das autoridades governamentais para aprimorar continuamente as operações, conforme as diretrizes da PNRS.

O combate ao plástico - Pior que o descarte irregular é a enorme perda com a falta de reaproveitamento dos resíduos. Segundo levantamento do Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb), o Brasil produz mais de 78,3 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, dos quais 13,5 % - o equivalente a 10,5 milhões de toneladas – são de plástico. Se o total desse montante fosse reciclado, seria possível retornar cerca de R$ 5,7 bilhões para a economia. Dentre as soluções mais viáveis, destacadas durante o seminário, para o tratamento adequado dos resíduos no estado do Pará seria a implantação de uma rede regionalizada de aterros sanitários.

Um bom exemplo deste trabalho planejado e estratégico de aterros sanitários foi apresentado pelo especialista em Plano Estratégico para Resíduos, Mário Russo, que liderou um trabalho em Portugal que, de 1994 a 2002, atingiu a recuperação e requalificação de 341 lixões e cumpriu a eliminação do passivo ambiental. Em vigor desde 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos no Brasil (Lei 12.305/10) permanece como fonte de debates. A lei foi aprovada depois de quase 20 anos de discussão no Congresso Nacional. Mas, nos últimos 8 anos, a sua implantação ainda não foi plenamente efetivada. Entende-se por resíduo sólido qualquer material, substância, objeto ou bem descartado. Ou seja, o lixo que precisa ser tratado ou reciclado.

Dérick Martins, Presidente do Conselho de Meio Ambiente da FIEPA, destacou a importância do evento e a expectativa para novos espaços de debate e iniciativas. “Hoje conseguimos reunir muitos agentes interessados e importantes no sentido de tomar decisões e também ser engajadores desta causa. Acreditamos que este é o caminho para tratarmos esta causa com ainda mais sensatez, coerência e certeza. Foi realmente um dia de debate muito produtivo”, destaca Martins.

 

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