FIEPA fortalece agenda estratégica para inserir empresas do Pará na cadeia energética
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O setor de óleo e gás desponta como uma das grandes oportunidades para o fortalecimento da indústria no Pará e na região Norte. A expansão do setor energético abre espaço para diversos segmentos industriais e de serviços, especialmente aqueles ligados às áreas metalmecânica, logística, manutenção industrial, engenharia, tecnologia e serviços ambientais. A inserção dessas empresas na cadeia de óleo e gás é vista como uma oportunidade para diversificar a economia regional e ampliar a geração de valor dentro do estado.
Com o objetivo de preparar empresas locais para acessar esse mercado e ampliar sua participação nas cadeias produtivas da energia, a Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) estruturou, por meio da FIEPA Redes e SENAI Pará, uma agenda estratégica voltada à geração de conhecimento, articulação institucional e promoção de negócios.
A iniciativa busca posicionar o estado de forma mais competitiva no setor energético, conectando empresas paraenses a oportunidades relacionadas ao petróleo, gás natural e às novas matrizes energéticas. A estratégia também prevê ações voltadas ao fortalecimento da base produtiva local, ampliando a capacidade das indústrias do estado de atender às demandas de grandes projetos.
De acordo com o presidente da FIEPA, Alex Carvalho, o avanço do setor representa uma oportunidade concreta para impulsionar o desenvolvimento regional e ampliar a participação da indústria local em cadeias produtivas de alto valor agregado.
“O setor de óleo e gás possui enorme potencial de transformação econômica para o Pará e para toda a região Norte. Nossa estratégia é preparar as empresas locais para que possam participar de forma competitiva dessa cadeia produtiva, gerando empregos qualificados, atraindo investimentos e fortalecendo a indústria paraense”, destaca.
A agenda conduzida pela FIEPA Redes está estruturada em diferentes frentes de atuação que combinam inteligência de mercado, capacitação empresarial e promoção de conexões com o mercado nacional. Entre as iniciativas previstas para 2026 estão missões empresariais, estudos estratégicos, produção de análises setoriais e a realização de eventos técnicos.
Oportunidades para a indústria paraense
Para o gerente executivo da FIEPA Redes, Fábio Xerfan, a estratégia busca justamente organizar e fortalecer a base produtiva local para que as empresas estejam preparadas para atender às demandas do setor.
“A agenda de óleo e gás da FIEPA Redes foi estruturada para aproximar as empresas paraenses das oportunidades que surgem no setor energético. Isso passa por informação qualificada, capacitação e articulação institucional, criando um ambiente mais favorável para que a indústria local participe de grandes projetos e amplie sua competitividade”, explica.
Segundo ele, o trabalho também contribui para consolidar o Pará como um território estratégico no debate sobre energia no Brasil, especialmente em um momento de transformações na matriz energética global e de expansão das discussões sobre novas fontes e tecnologias.
A programação da FIEPA Redes para o segmento de energia contempla um conjunto de iniciativas voltadas à geração de conhecimento e à aproximação entre empresas, especialistas e investidores. Uma das ações previstas é a participação em uma missão empresarial internacional durante a Offshore Technology Conference (OTC), em Houston, nos Estados Unidos. Reconhecido como um dos maiores eventos mundiais da indústria de energia offshore, o encontro reúne empresas, especialistas e instituições de diversos países para discutir tendências tecnológicas, cenários regulatórios e oportunidades de negócios.
A participação na OTC permitirá acompanhar inovações do setor, mapear boas práticas internacionais e estabelecer conexões estratégicas que podem resultar em novas parcerias e investimentos para o estado.
Outra frente importante da agenda é a realização de seminários técnicos ao longo de 2026, com temas voltados às principais oportunidades e desafios do setor energético no Pará. Entre os assuntos previstos estão gás natural, operações portuárias e logística de apoio, inovação e tecnologia para energia, bioenergia e biomassa, além de debates sobre o potencial petrolífero da Margem Equatorial.
A FIEPA Redes também irá desenvolver estudos setoriais em parceria com o Observatório da Indústria da FIEPA, com foco no mapeamento da cadeia produtiva e na identificação de gargalos e oportunidades para a indústria local. As análises devem abordar setores estratégicos como metalmecânica, logística, serviços e atividades ambientais, contribuindo para orientar políticas e estratégias de desenvolvimento industrial.
Como parte da estratégia de produção de conhecimento, será lançado ainda um boletim mensal do setor de petróleo e gás, reunindo análises sobre tendências de mercado, ambiente regulatório e oportunidades para o empresariado paraense.
A agenda do setor também inclui a realização do Amazon Energy 2026, evento que pretende reunir representantes da indústria, governo, especialistas e investidores para discutir os caminhos do desenvolvimento energético na Amazônia.
Ações integradas
Nesse contexto, o SENAI Pará garantiu investimentos estratégicos na unidade de Barcarena, da ordem de R$ 400 mil, destinados à aquisição de bancadas, acessórios e à realização de treinamentos especializados voltados ao setor de óleo e gás, com ênfase na adaptação às novas tecnologias adotadas pela indústria, especialmente para atender demandas das grandes empresas mineradoras.
Atualmente, a equipe do SENAI em Barcarena está apta a oferecer 13 formações técnicas voltadas ao segmento, abrangendo áreas essenciais como elétrica, com treinamentos em áreas classificadas; automação, com foco em instrumentação aplicada à área de gás; mecânica, com capacitações em caldeiras a gás; segurança, voltada a atividades e operações perigosas; além de serviços tecnológicos, como calibração de equipamentos industriais aplicados ao setor.
Para o gerente executivo de Tecnologia e Inovação do SENAI, Leo Shinomiya, o avanço dessas iniciativas reflete um movimento estratégico, alinhado às necessidades da indústria. Segundo ele, o papel do SENAI é antecipar tendências e preparar a mão de obra para a chegada de novas tecnologias no estado.
“O SENAI atua como protagonista na formação tecnológica no estado, garantindo que as pessoas estejam preparadas quando essas transformações chegarem. Quando falamos da Margem Equatorial, falamos não apenas da exploração, mas do apoio às indústrias e empresas da região. Esse movimento exige preparação. As iniciativas que estamos conduzindo, muitas delas fruto de missões articuladas pela Federação, são fundamentais para que estejamos à frente dessas demandas, que devem se intensificar nos próximos três a quatro anos. Caso contrário, corremos o risco de apenas assistir às oportunidades passarem”, destaca.



