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Indústria apresenta agenda estratégica aos presidenciáveis

  • há 20 horas
  • 6 min de leitura

Comitiva da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) participou do encontro promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília


Comitiva da FIEPA no encontro com presidenciáveis, em Brasília
Comitiva da FIEPA no encontro com presidenciáveis, em Brasília

Brasília – Em um dos primeiros grandes encontros entre o setor produtivo e os pré-candidatos à Presidência da República para as eleições de 2026, lideranças da indústria de todo o país participaram, nesta segunda-feira (22), do evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. A iniciativa reuniu empresários da indústria e representantes das federações estaduais para discutir propostas voltadas ao crescimento econômico, à competitividade e à atração de investimentos. No encontro, os pré-candidatos à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) apresentaram suas visões para o futuro do país e responderam a questionamentos de empresários e dirigentes do setor industrial.


Alex Carvalho, presidente da FIEPA
Alex Carvalho, presidente da FIEPA

A Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) foi representada por diretores e presidentes de sindicatos industriais. O presidente da entidade, Alex Carvalho, foi um dos dirigentes escolhidos para fazer perguntas aos presidenciáveis. Um dos questionamentos dirigidos por ele aos candidatos tratou dos planos para as políticas fiscal e monetária como instrumentos para ampliar a confiança dos investidores, estimular a atração de capital privado e criar um ambiente mais favorável ao crescimento econômico.


Em resposta, Romeu Zema (Novo) defendeu uma política econômica baseada no equilíbrio fiscal e na redução estrutural dos juros. Segundo ele, as elevadas taxas de juros atuais funcionam como um “freio de mão puxado” para a economia brasileira, dificultando investimentos, reduzindo o consumo das famílias e comprometendo a competitividade das empresas.


“O Brasil está crescendo menos do que o mundo e corre o risco de se tornar cada vez menos relevante. O principal motivo é a política econômica que mantém juros elevados. Essa taxa de juros funciona como um carro andando com o freio de mão puxado: anda devagar, gasta mais e nem sempre chega onde deveria chegar. Precisamos de juros civilizados para que empresas possam investir e famílias possam consumir”, afirmou.


Romeu Zema (Novo)
Romeu Zema (Novo)

Zema também defendeu a redução dos gastos públicos, o fortalecimento da responsabilidade fiscal e maior participação de representantes oriundos do setor produtivo na política. Para ele, a experiência empresarial pode contribuir para uma gestão pública mais eficiente e voltada à geração de resultados.


Documento reúne propostas para o desenvolvimento do país


O documento “Construindo o Brasil 2050 – A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis” reúne a visão estratégica da indústria brasileira para as próximas décadas e apresenta propostas voltadas ao crescimento econômico, à competitividade, à produtividade e ao desenvolvimento sustentável do país.


Durante o evento, o presidente da CNI, Ricardo Alban, realizou a entrega oficial da publicação aos presidenciáveis e destacou a importância de construir uma agenda nacional de longo prazo voltada ao fortalecimento da economia brasileira.


“Ao entregar o documento aos presidenciáveis, a indústria brasileira reforçou a expectativa de que as propostas apresentadas contribuam para a formulação dos programas de governo e para a construção de uma agenda nacional baseada em produtividade, inovação, competitividade e desenvolvimento sustentável”, afirmou.


Elaborado pela CNI, o material consolida a contribuição do setor industrial para o debate nacional e propõe uma agenda estruturada em três grandes eixos: crescimento econômico sustentado, fortalecimento do desenvolvimento produtivo e redução do Custo Brasil.


Ao longo de mais de 300 páginas, a publicação reúne diagnósticos e recomendações em áreas consideradas estratégicas para o futuro do país, como inovação, integração internacional, sustentabilidade, ambiente regulatório e segurança jurídica. Segundo a CNI, o Brasil vive um momento decisivo em que o crescimento econômico dependerá cada vez mais da capacidade de elevar a produtividade, ampliar investimentos privados e criar um ambiente favorável à inovação e à geração de empregos.


Entre as propostas apresentadas aos presidenciáveis estão medidas para ampliar a competitividade da indústria brasileira, fortalecer a inserção internacional do país, impulsionar a inovação tecnológica, acelerar a transição para uma economia de baixo carbono, ampliar a qualificação profissional e promover maior equilíbrio no desenvolvimento regional.


Infraestrutura é apontada como prioridade para aumentar a competitividade


Entre os temas de maior destaque está a infraestrutura de transportes, considerada pela indústria um dos principais gargalos à competitividade brasileira. O documento propõe a diversificação da matriz de transporte de cargas, reduzindo a dependência do transporte rodoviário de longa distância e ampliando a participação de ferrovias, hidrovias, portos e cabotagem.


A avaliação da CNI é que os custos logísticos brasileiros permanecem acima dos padrões internacionais, comprometendo a competitividade das empresas, encarecendo produtos e dificultando a integração do país às cadeias globais de valor. Para a entidade, a melhoria da infraestrutura é condição fundamental para elevar a produtividade e impulsionar o desenvolvimento econômico.


O documento reúne 12 propostas específicas para o setor de transportes, incluindo a ampliação da participação privada em concessões, a modernização da gestão portuária, a aceleração da devolução de trechos ferroviários ociosos, a expansão da infraestrutura para movimentação de contêineres, o fortalecimento da cabotagem e das hidrovias e o enfrentamento do problema das obras paralisadas.


“Infraestrutura deficiente eleva custos logísticos, encarece os produtos e reduz a competitividade da indústria brasileira. São fatores que aumentam o Custo Brasil. A modernização do setor de transportes é fundamental para aumentar o bem-estar das famílias, reduzir desigualdades, fortalecer a indústria e promover um crescimento econômico sustentado no país”, afirma Alex Carvalho, presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da CNI (COINFRA) e da FIEPA.


A indústria também defende que o planejamento da infraestrutura seja tratado como política de Estado, garantindo continuidade institucional, previsibilidade e maior capacidade de atração de investimentos de longo prazo. Segundo o documento, a falta de planejamento integrado e as interrupções frequentes em projetos estruturantes reduzem a eficiência dos investimentos e atrasam o desenvolvimento do país.


Segurança jurídica e confiança para investir


Outro tema central do documento entregue aos presidenciáveis é a necessidade de ampliar a segurança jurídica e a previsibilidade regulatória. A avaliação da indústria é que a confiança dos investidores está diretamente relacionada à existência de regras claras, estabilidade institucional e processos regulatórios eficientes.


O assunto também esteve presente entre os questionamentos dirigidos aos pré-candidatos. Ao responder sobre os caminhos para ampliar a competitividade do país e atrair investimentos de longo prazo, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o Brasil possui uma das maiores oportunidades do mundo para receber novos investimentos, especialmente diante das mudanças geopolíticas e das transformações nas cadeias globais de produção.


Flávio Bolsonaro (PL)
Flávio Bolsonaro (PL)

Segundo ele, apesar desse cenário favorável, a insegurança jurídica ainda afasta investidores e dificulta a realização de projetos de longo prazo. “Como é que alguém consegue fazer um plano de negócios para dez anos se tudo muda em uma canetada? Precisamos recuperar a confiança e gerar segurança jurídica. Se conseguirmos reduzir a carga tributária, simplificar a legislação e diminuir o Custo Brasil, as empresas brasileiras ficarão mais competitivas e teremos um ambiente muito mais favorável aos investimentos”, afirmou.


O senador também destacou a necessidade de ampliar os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação, fortalecendo a conexão entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Para ele, o país precisa criar condições para transformar conhecimento em tecnologia, inovação e geração de riqueza.


Desafios do setor produtivo também marcaram fala de Caiado


O terceiro e último presidenciável a participar do encontro foi Ronaldo Caiado (PSD). Assim como ocorreu com Romeu Zema, o presidente da FIEPA, Alex Carvalho, também dirigiu ao ex-governador de Goiás um questionamento relacionado às políticas fiscal e monetária, à segurança jurídica e às medidas necessárias para ampliar a confiança dos investidores e estimular o crescimento econômico do país.


Em sua resposta, Caiado afirmou que a retomada da credibilidade institucional e a continuidade das reformas estruturantes serão fundamentais para recuperar a confiança do mercado e criar um ambiente mais favorável aos investimentos.

Ronaldo Caiado (PSD)
Ronaldo Caiado (PSD)

Segundo ele, avanços conquistados em reformas econômicas realizadas nos últimos anos precisam ser preservados e aprofundados para garantir estabilidade e previsibilidade ao ambiente de negócios. “Precisamos ter um governo capaz de dar continuidade às reformas. O Brasil necessita de estabilidade, previsibilidade e confiança para voltar a crescer. Quando o investidor percebe que as regras mudam constantemente, a capacidade de planejamento diminui e os investimentos deixam de acontecer”, afirmou.


O pré-candidato também defendeu o equilíbrio fiscal, o controle da inflação e a redução consistente da taxa de juros como instrumentos essenciais para estimular a atividade produtiva.


Agenda para o Brasil de 2050


Além da infraestrutura, o documento apresenta propostas voltadas ao fortalecimento da política industrial, à ampliação da inovação, ao aumento da cooperação tecnológica internacional, à expansão da integração comercial do Brasil com o mundo e ao desenvolvimento de uma economia mais sustentável e preparada para os desafios da transição energética.


A publicação também destaca a importância da educação e da qualificação profissional como fatores essenciais para elevar a produtividade e preparar trabalhadores para as transformações tecnológicas em curso. Outro eixo é o desenvolvimento regional, com a defesa de políticas capazes de aproveitar as vocações econômicas de diferentes regiões do país e ampliar as oportunidades de crescimento fora dos grandes centros.


Realizado a cada quatro anos, o encontro promovido pela CNI busca aproximar os candidatos à Presidência da República das demandas do setor produtivo brasileiro. Em 2026, o documento “Construindo o Brasil 2050” consolida essa contribuição ao propor uma visão de longo prazo para o país, defendendo a articulação entre poder público e iniciativa privada para criar as condições necessárias ao crescimento econômico consistente, à geração de empregos e ao aumento da competitividade brasileira nas próximas décadas.

 
 

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