Mulheres, indústria e desenvolvimento: avanços que precisam continuar
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O mês de março nos convida à reflexão. Falar sobre o papel das mulheres na economia é reconhecer avanços importantes, mas também assumir o compromisso de enfrentar desafios que ainda persistem — especialmente em setores estratégicos como a indústria.
Pesquisa do Observatório da Indústria da FIEPA, divulgada no Dia Internacional da Mulher, revela que a presença feminina no emprego formal, no Pará, praticamente dobrou entre 2008 e 2024, saltando de cerca de 330 mil para mais de 600 mil vínculos. Hoje, as mulheres ocupam 42% dos empregos formais no estado.
Outro dado chama atenção: a qualificação. Atualmente, 59,2% das mulheres no mercado formal têm ensino superior completo, percentual significativamente superior ao observado entre os homens, que é de 40,8%. Isso demonstra que as mulheres paraenses têm investido fortemente em educação e capacitação profissional - uma força de trabalho altamente preparada.
No entanto, na indústria, a participação feminina gira em torno de 21,5%, e na construção é inferior a 10%. Ou seja, enxergando o copo meio cheio, como tem sido minha opção, vislumbro um universo e tanto de oportunidades para ampliar a presença das mulheres. E um dever a cumprir.
Para que esse otimismo seja transformado em ação, como representante de um Sistema atuante nas áreas de educação, capacitação, saúde e cultura, os números servem de farol para estabelecermos compromissos. Se as mulheres já representam 62% dos cargos técnicos e especializados na indústria paraense, vamos trabalhar para que mulheres nas posições de liderança e decisão saiam dos 43,6% para 50, 60, 70 %... Pra isso temos promovido estratégias em todos os setores. Hoje as mulheres representam mais de 47% (47,40%) do quadro de colaboradores- queremos e vamos trabalhar pela equidade.
Ambientes mais diversos e inclusivos são mais inovadores, mais produtivos e mais capazes de responder aos desafios de uma economia cada vez mais dinâmica. Quando falamos de equidade no mercado de trabalho, não estamos tratando apenas de um tema social. Estamos falando de desenvolvimento econômico, inovação e competitividade.
É por isso que, neste mês, o Serviço Social da Indústria Pará, através da nossa Gerência de Cultura, promove duas exposições na Casa SESI Indústria Criativa, em Belém, que convidam à reflexão sobre diferentes dimensões da trajetória feminina.
A mostra “Mãos de Mulher” destaca hstórias de resistência, saberes e trabalho que sustentam a economia viva da Amazônia. As imagens revelam personagens conhecidas do nosso território amazônico: das benzedeiras às empreendedoras que ajudam a construir diariamente o tecido social e econômico da região.
E como, infelizmente, a violência de gênero ainda é uma realidade que afeta milhares de brasileiras - em 2025, o país registrou 1.518 casos de feminicídio, o maior número já contabilizado - a exposição “Todas e Todos por Elas: Vozes por Geordana” aborda a violência de gênero, e lembra histórias de mulheres que tiveram suas vidas interrompidas pelo feminicídio. Realizada em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral do Pará, é mais do que uma homenagem, é um chamado coletivo à conscientização e à prevenção.
Essas iniciativas reforçam que a valorização das mulheres passa por múltiplas dimensões: acesso ao trabalho, oportunidades de liderança, reconhecimento de saberes que sustentam comunidades inteiras e proteção contra a violência.
Promover equidade não é apenas fazer justiça. É ampliar o talento disponível, estimular a inovação e construir um ambiente econômico mais forte, moderno e sustentável.






