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Alexandre Schwartsman encerra congresso da FIPA 2026

  • há 35 minutos
  • 5 min de leitura

O economista Alexandre Schwartsman, ex-presidente do Banco Central e um dos principais analistas econômicos do país, encerrou o Congresso da XVII Feira da Indústria do Pará (FIPA 2026), nesta sexta-feira (22), com a palestra magna “Brasil no Tabuleiro Global – Economia, Risco e Decisão”. Diante de empresários, lideranças industriais e representantes do setor produtivo, ele apresentou uma análise atual da economia mundial e o comportamento da economia brasileira e perspectivas.


Schwartsman destacou que o atual conflito no Oriente Médio alterou significativamente as perspectivas econômicas globais traçadas no início do ano. O principal efeito imediato foi a alta dos preços da energia, impulsionada pela alta do preço do petróleo. “O impacto não se limita ao barril de petróleo. Afeta gasolina, diesel, gás, carvão e toda a cadeia energética global. Isso mudou as condições econômicas que se imaginavam no começo do ano”, explicou.


Segundo ele, as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) passaram por revisões diante da incerteza gerada pelo conflito. Além da redução das expectativas de crescimento econômico global, os cenários mais recentes também apontam para uma inflação mais elevada do que a prevista anteriormente.


Impactos distintos entre as economias

Schwartsman destacou que os efeitos da alta do petróleo variam conforme a estrutura econômica de cada país. Os Estados Unidos, por exemplo, deixaram de ser grandes importadores para se tornarem exportadores líquidos de petróleo, o que reduz parte dos impactos negativos da alta dos preços internacionais.


Por outro lado, regiões como Europa e China sofrem mais diretamente com o aumento dos custos energéticos, já que dependem mais da importação desses insumos. O economista alertou ainda para a deterioração das expectativas de inflação em diversas economias e para a possibilidade de manutenção de juros elevados por mais tempo.


Brasil está mais protegido do que no passado

Ao analisar a situação brasileira com relação à crise mundial do petróleo, Schwartsman afirmou que o país chega a esse momento internacional em condições mais favoráveis do que em crises anteriores, principalmente por ter se transformado em exportador líquido de petróleo.


“Antigamente uma alta do petróleo representava perda significativa de renda para o Brasil. Hoje isso mudou. Nos últimos 12 meses tivemos um superávit associado ao petróleo superior a 1,5% do PIB”, destacou. Superávit este que está ligado ao setor mineral e à agricultura.


 

Crescimento atual tem limites

Apesar da posição relativamente favorável diante do cenário internacional atual, Schwartsman avalia que o principal desafio brasileiro está na capacidade de sustentar o ritmo recente de crescimento econômico.

Nos últimos quatro anos, o país registrou expansão média próxima de 3% ao ano, desempenho considerado positivo quando comparado ao período anterior à pandemia. “Se conseguíssemos manter esse ritmo por décadas, a renda per capita brasileira dobraria em cerca de 20 a 30 anos. Seria uma transformação importante no padrão de vida da população. Mas será que conseguimos manter esse crescimento sustentável?”, indaga.


No entanto, ele acredita que o modelo adotado atualmente apresenta limitações estruturais. “O modelo econômico que está sendo adotado foi fortemente baseado na expansão do consumo das famílias. Cerca de 70% do aumento do PIB nesse período foi destinado ao consumo. Menos de 20% foi absorvido pelo setor público e uma parcela ainda menor se transformou em investimento”, enfatiza.


Para o economista, esse padrão possui capacidade limitada de sustentação no longo prazo e informou que a prática fez com que o Brasil retornasse a ficar negativo.


Schwartsman ainda ressaltou que o aumento de custos impacta na inflação. “Existe uma associação muito forte entre aumento dos custos e inflação. Parte importante da inflação atual está relacionada ao mercado de trabalho e não apenas ao petróleo. E a expectativa do próprio Banco Central é que a inflação brasileira encerre o ano próxima de 5%, acima do teto da meta estabelecida pelo de 4,5%”.


Ao encerrar sua participação, Schwartsman sugeriu ajuste fiscais, privatizações e moderar os gastos governamentais.


Paineis debatem impactos, inovação e oportunidades na Amazônia

Outros 13 paineis colocaram em pauta temáticas em alta no setor da indústria, setor público, dentro de empresas, cooperativas e iniciativas em comunidades.



A discussão “Impacto socioambiental das hidrovias na região do Pará” debateu sobre o importante modal para os estados da Amazônia: a hidrovia. Um dos exemplos citados foi a hidrovia do Tocantins, a qual nos últimos dois anos chegou a uma economia de 60%, se comparado à BR-153, mudando o perfil de escoamento. Outro ponto importante dentro da pauta é pensar de forma macro, já que um projeto hidroviário fomenta, consequentemente, novas economias ao redor do território impactado.


No painel “Da Amazônia ao mercado: inovação, qualidade e competividade dos alimentos e bebidas do Pará” foi apresentado documento com análises que caracterizam as cadeias de açaí, cacau, dendê e carne no Pará. A expectativa é desdobrar o estudo para outras cadeias. Além disso, também foi discutido sobre a importância da rastreabilidade para o mercado internacional.


“Oportunidades bens, serviços e inovação no setor de petróleo e gás para as empresas do Pará” destacou a importância de fomentar conexões, investimentos e profissionalização no setor para que problemas sejam solucionados, como a descarbonização de ativos.


Já no painel “Juruti e economia circular: parcerias que impulsionam o desenvolvimento sustentável” destacou-se o trabalho que vem sendo feito na cidade paraense, entre desafios e benefícios de qualificar o descarte e o processo produtivo de resíduos.


O congresso também discutiu o cenário do óleo de palma com a temática “Palma sustentável – competitividade, rastreabilidade e o papel da Amazônia no mercado global”. O Brasil produz 500 mil toneladas de óleo de palma e o consumo chega a quase 1 milhão de toneladas, sendo óleo de Palma sustentável, já que, para cultivo, há obrigatoriedade de não ter queimadas e desmatamento, e as leis trabalhistas são rígidas, enquanto que em concorrentes internacionais, as empresas produtoras não cumprem tantas obrigações. De acordo com os palestrantes, a Amazônia brasileira tem potencial de expansão e a tendência é que o plantio cresça na região, fazendo com que o Brasil tenha papel fundamental no mercado global.


O vice-presidente sênior e COO da Hydro Bauxita & Alumina, Carlos Neves, fez uma apresentação sobre clima, natureza e sociedade no centro da indústria da alumina, na qual falou sobre áreas reabilitadas com desenvolvimento de estudos científicos para promoção da fauna e flora nesses ambientes que já foram produtivos e hoje estão em recuperação. Neves ainda falou da iniciativa que transforma resíduos de bauxita para produzir ferro gusa, além de outros projetos voltados para o público interno da empresa e sociedade.


O painel “Minerais críticos para a transição energética” abordou o papel estratégico do Pará na nova geopolítica industrial com o cobre e o níquel. O Pará tem hoje 27 milhões de toneladas de cobre não explorado, com maior concentração na cidade de Carajás, tornando o estado potente no mercado a nível mundial. O níquel também é commodity importante. O Brasil tem a terceira maior reserva do mundo, tornando os dois minerais extremamente críticos que podem ser trabalhados em escala, gerando desenvolvimento, empregos, mas com um valor potencial a ser destravado. 


No painel “Geração circular: menos desperdício, mais futuro na nova indústria amazônica” foi debatida a relação de consumo, desde sua fase inicial. No momento mundial em que as pessoas estão repensando seus hábitos, é preciso incutir na sociedade que a escolha de um produto mais sustentável já muda o futuro, e pensar que tudo que existe dentro das residências vem da natureza, que pode ser reciclado e reutilizado.


Em “Raízes da cooperação: semeando o desenvolvimento sustentável para o futuro da Amazônia” discutiu-se importantes instrumentos de desenvolvimento em sistemas agroflorestais e iniciativas que levam inovação e auxiliem na verticalização de cadeias como a mandioca.


Outro tema debatido foi a participação feminina na economia paraense, que teve avanço nas últimas décadas, mas ainda há desafios estruturais relacionados à liderança, remuneração e acesso a setores estratégicos. A informação está presente no estudo “Paradoxo da Qualificação: Uma Análise da Inserção Feminina na Economia do Pará (2008–2024)”, elaborado pelo Observatório da Indústria da FIEPA, e foi lançado no painel “Impacto das Mulheres na Economia Paraense”.


Durante o congresso, ainda foram debatidos temas “Indústria criativa e inovação: onde cultura, tecnologia e negócio se encontram”, e “A Amazônia na Era das Baterias: desafio e oportunidades do armazenamento de energia”.

 
 

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