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Mesmo mais qualificadas, mulheres ainda têm menos espaço de liderança no Pará

  • há 21 horas
  • 5 min de leitura


Estudo lançado na FIPA 2026 mostra que mulheres têm maior escolaridade que os homens, mas seguem em cargos de menor remuneração. Cenário foi discutido em painel durante evento.

 

A participação feminina na economia paraense avançou nas últimas décadas, mas ainda convive com desafios estruturais relacionados à liderança, remuneração e acesso a setores estratégicos. O tema foi debatido nesta sexta-feira (22), durante a XVII Feira da Indústria do Pará (FIPA 2026), no painel “Impacto das Mulheres na Economia Paraense”, que também marcou o lançamento do estudo “Paradoxo da Qualificação: Uma Análise da Inserção Feminina na Economia do Pará (2008–2024)”, elaborado pelo Observatório da Indústria da FIEPA.


O levantamento reúne dados RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), Novo CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e Receita Federal e aponta um cenário que chama atenção: quase 60% das mulheres inseridas no mercado formal de trabalho possuem ensino superior, enquanto entre os homens esse percentual é de cerca de 40%. Apesar disso, elas continuam ocupando menos cargos de liderança e permanecem afastadas dos segmentos que concentram os maiores salários, como indústria, agropecuária, mineração, energia e construção civil.


Para a vice-presidente Executiva da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Marcella Novaes, os números também revelam avanços importantes que precisam ser reconhecidos. “Precisamos reconhecer que houve evolução. Hoje temos painéis femininos dentro do Congresso e esse posicionamento feminino está acontecendo. As mulheres representam cerca de 20% da força de trabalho da indústria e aproximadamente 40% dos empregos formais. Gosto de olhar para as possibilidades de crescimento e reconhecer tudo o que já foi conquistado”, afirmou.

 

Segundo ela, embora a presença feminina em cargos de liderança ainda esteja abaixo do esperado, há uma movimentação crescente para ampliar essas oportunidades. “Os dados mostram que as mulheres estão em maior número em posições administrativas e técnicas. Precisamos criar oportunidades para que elas possam galgar espaços estratégicos. O fato de estarmos debatendo esse assunto já demonstra uma mudança. Instituições como SESI, SENAI e IEL têm papel fundamental na qualificação dessas mulheres para que possam ocupar essas posições”, destacou durante o painel.




 

Representatividade abre caminhos


A necessidade de referências femininas em áreas tradicionalmente masculinas também foi assunto no painel. Gestora dos Cursos de Inovação e Tecnologia do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), Alessandra Natasha Baganha compartilhou sua experiência na engenharia.


“Quando entrei na graduação, em 1994, éramos apenas oito mulheres entre 120 calouros. Ao final do curso, formaram-se 30 engenheiros, e as mesmas oito mulheres estavam lá. Hoje, temos cerca de 12% de mulheres em algumas áreas da tecnologia. Ainda é pouco, mas dobramos esse percentual”, observou.


Para ela, a escolha profissional começa pelo exemplo e depende também da existência de redes de apoio que garantam permanência e crescimento dessa mulher em ambientes com público majoritariamente masculino.


“A preponderância feminina na indústria é a partir dos 40 anos. E sabe por que não estamos mais atuantes anteriormente? Porque a maternidade entre 20 e 39 anos é prioridade, o que impacta nas decisões profissionais, o que deveria ser tratado de forma mais flexível. Além disso, precisamos estimular habilidades nas mulheres, como assumir riscos nas profissões. Por exemplo, para fazer uma máquina funcionar, você vai errar muito anteriormente, e as mulheres são menos estimuladas a estarem nesse lugar. Não basta formar boas alunas. Precisamos preparar mulheres para criar impacto real no mercado e enxergar possibilidades para além da sala de aula”, afirmou Alessandra.

 

A educadora também defendeu uma formação mais conectada à realidade amazônica e às demandas das comunidades. “Precisamos levar as estudantes para os territórios, para entender problemas reais e construir soluções. Isso gera uma formação mais completa e alinhada à nossa realidade”, defendeu.

 


Bioeconomia impulsionada por lideranças femininas

 

Durante o painel, a bioeconomia surgiu como um dos setores em que o protagonismo feminino já se destaca. Segundo Marcella Novaes, o crescimento do empreendedorismo liderado por mulheres tem sido decisivo para fortalecer cadeias produtivas sustentáveis e promover desenvolvimento local.


“Quando a mulher está à frente de um empreendimento, ela tende a reinvestir na educação, na comunidade e no bem-estar coletivo. Esse ciclo virtuoso é muito característico da liderança feminina e aparece com força na bioeconomia. Precisamos ampliar o acesso ao crédito e ao aperfeiçoamento técnico para que mais mulheres possam transformar seus negócios em indústrias sustentáveis”, afirmou.

 


Autonomia financeira transforma territórios


A experiência prática dessa transformação foi apresentada pela artesã e coordenadora do grupo “Sementes do Quilombo”, Noemi Barbosa. O projeto atua com produção artesanal utilizando tecidos africanos e outras atividades voltadas à geração de renda para mulheres e jovens.


“O objetivo é garantir independência financeira para que as mulheres possam permanecer em seus territórios com dignidade. Trabalhamos também com jovens, grupos de dança e ações educativas. Queremos que essas pessoas sonhem, estudem e construam seus próprios caminhos”, explicou.


Segundo Noemi, a autonomia econômica está diretamente ligada à liberdade de escolha e ao enfrentamento da violência contra a mulher.


“Quando a mulher entende que empreender pode ser um caminho para sua independência financeira, ela conquista liberdade. Muitas vezes, mulheres permaneciam em relacionamentos abusivos porque não tinham renda própria. Hoje buscamos mostrar que elas podem gerir seus recursos e construir novas possibilidades de vida”, afirmou.


A líder comunitária também destacou a importância do conhecimento tradicional para a construção de modelos sustentáveis de desenvolvimento. “Os quintais produtivos, os remédios caseiros e os saberes ancestrais são conhecimentos que passam de geração em geração. Muitas vezes, a indústria estuda algo que nossas comunidades já conheciam na prática”.


Uma nova iniciativa que está em implantação no território quilombola é o turismo de base comunitária, que inclui reflorestamento feito pelo próprio visitante. “Queremos que quem nos visita não leve apenas conhecimento, mas também deixe uma contribuição para o território, plantando uma árvore e ajudando a reflorestar a nossa terra”.

 


Tudo começa com uma oportunidade


O estudo lançado durante a FIPA reforça que a qualificação feminina já é uma realidade no Pará. O desafio agora é transformar esse capital educacional em mais oportunidades de liderança, maior participação em setores estratégicos e melhores condições de acesso a crédito, inovação, empreendedorismo e equidade de gênero dentro das instituições.


Ao final do debate, mediado pela jornalista e apresentadora da CNN, Julliana Lopes, as participantes reforçaram uma mensagem em comum: quando as mulheres avançam, os impactos positivos ultrapassam o ambiente de trabalho e alcançam famílias, comunidades e toda a sociedade. “Quando uma mulher avança, avança também a comunidade e avança a sociedade”, resumiu a mediadora.




A XVII FIPA é uma realização do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (Sistema FIEPA), em parceria com Sebrae e patrocínio das empresas Hydro, Vale, Alcoa, Prefeitura de Barcarena, Sicredi, Elis Circular, Ligga e Mineração Rio do Norte (MRN); com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), Agropalma, Cargill, Coca-Cola, Hidrovias do Brasil, Saint-Gobain, Suzano, Águas do Pará e apoio cultural da Equatorial Energia.


 
 

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