Congresso Técnico da FIPA debate reforma tributária, incentivos fiscais e competitividade da indústria paraense
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A programação da XVII Feira da Indústria do Pará (FIPA 2026) teve como um dos destaques desta quinta-feira (21) a abertura do Congresso Técnico, reunindo especialistas, representantes do poder público e do setor produtivo para debater temas estratégicos para o desenvolvimento econômico do estado. Entre os painéis realizados, o público acompanhou a discussão “Pará mais competitivo: incentivos, reforma tributária e o futuro da indústria”.
O debate foi mediado pela consultora e especialista em gestão tributária e comércio exterior Monique Correia e contou com a participação da professora e pesquisadora do Programa de Mestrado em Contabilidade da Universidade Federal do Pará, Márcia Athayde; do secretário da Fazenda do Estado do Pará, René de Oliveira e Sousa Júnior; e do advogado e sócio do escritório Athias, Soriano de Mello, Bentes & Lobato Advogados, Afonso Lobato.
Durante o debate, a professora Márcia Athayde destacou que a reforma tributária vai além da discussão sobre alíquotas e impostos. Segundo ela, o principal desafio das empresas estará na reorganização dos processos internos e no fortalecimento da gestão para atender às novas exigências do mercado e aos critérios dos programas de incentivo fiscal.
“Precisamos arrumar a casa, organizar processos, identificar clientes e fornecedores. A reforma não é sobre alíquota. O que vai determinar o sucesso será a forma como a empresa se organiza”, afirmou. Athayde também ressaltou que o período de implementação da reforma exige adaptação, capacitação de equipes e melhorias de desempenho. “A reforma já está acontecendo e, com a inteligência artificial, estamos sendo convidados a mudar. A reforma é a cereja do bolo”, acrescentou.
O secretário da Fazenda do Pará, René de Oliveira e Sousa Júnior, relembrou o histórico da chamada “guerra fiscal” entre os estados brasileiros na tentativa de atrair indústrias e investimentos. Para ele, incentivar a indústria continua sendo estratégico para o desenvolvimento econômico. “A indústria cria riqueza, renda, emprego e fixa o desenvolvimento econômico. Ela precisa ser incentivada”, pontuou. O secretário também explicou que a tributação sobre o consumo acabou se tornando inflacionada ao longo dos anos, especialmente com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), considerado hoje o tributo de maior arrecadação do país.

Segundo o secretário, a reforma tributária representa uma mudança estrutural no sistema nacional. “Antes tínhamos um sistema fragmentado, em que os tributos não conversavam entre si”, explicou.
Já o advogado Afonso Lobato avaliou que a reforma tributária também passou a ser tema de polarização no país, mas defendeu que o momento exige análise técnica e preparação estratégica por parte das empresas.
“Não devemos estar nem de um lado, nem do outro, mas continuar com um olhar atento para o aperfeiçoamento do novo sistema”, afirmou. Para ele, este é um período de incertezas, testes e construção de governança interna. Ele também alertou para a necessidade de adequação das empresas enquadradas no Simples Nacional, principalmente em relação à transferência de créditos tributários. “A reforma já é uma realidade. As empresas precisam se posicionar e fazer o dever de casa”, concluiu.
A XVII FIPA é uma realização do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (Sistema FIEPA), em parceria com Sebrae e patrocínio das empresas Hydro, Vale, Alcoa, Prefeitura de Barcarena, Sicredi, Elis Circular, Ligga e Mineração Rio do Norte (MRN); com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), Agropalma, Cargill, Coca-Cola, Hidrovias do Brasil, Saint-Gobain, Suzano, Águas do Pará e apoio cultural da Equatorial Energia.






