Empresas da bioeconomia do Pará prospectam novos mercados em missão empresarial no Panamá
- marialuiza9513
- há 3 horas
- 3 min de leitura

Empresas paraenses da bioeconomia se destacaram na delegação brasileira que participou do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe (ALC), no Panamá. A missão, que aconteceu entre 27 e 30 de janeiro, foi resultado da articulação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e reuniu mais de 100 empresários do Brasil. A iniciativa promoveu uma intensa agenda de encontros com compradores, investidores e parceiros internacionais, abrindo espaço para que produtos da Amazônia, como açaí, óleos, castanhas e cosméticos naturais, avancem no comércio exterior.
A presença do Pará na missão foi apoiada pelo Centro Internacional de Negócios da FIEPA (FIEPA CIN) e contou com empreendedores interessados em transformar a vocação amazônica em oportunidades concretas de exportação. Um dos principais focos do evento foi a Rodada de Negócios América Latina e Caribe, que conectou empresas brasileiras a cerca de 150 compradores internacionais e 300 exportadores da região, com milhares de reuniões ao longo do evento.
Em 2025, as exportações brasileiras para o Panamá alcançaram US$ 1,6 bilhão, crescimento de 426% na última década, com a indústria de transformação respondendo por quase 90% do fluxo comercial. Além disso, o mercado panamenho concentra 647 oportunidades mapeadas para exportação, o que desperta o interesse de empresas que buscam diversificar mercados e ampliar presença internacional.
O presidente da FIEPA, Alex Carvalho, reforça que a instituição atua para transformar a presença institucional em resultados concretos para os empresários. “O papel da FIEPA, por meio do Centro Internacional de Negócios, é justamente aproximar o empresário paraense dessas oportunidades. Não se trata apenas de participar de eventos, mas de criar conexões reais, traduzir a realidade da nossa indústria para o cenário internacional e abrir caminhos para que empresas do Pará acessem novos mercados com mais segurança e estratégia”, afirma.
Nesta edição, o Brasil é o país convidado de honra. Para quem esteve no evento, a experiência ultrapassou as métricas numéricas. Julian Araújo, analista de Exportação da Amazon Polpas, avalia que o ambiente favoreceu conexões reais. “O evento foi sendo sensacional, fomentando a troca de conhecimento e com possibilidade de novos negócios. A programação foi bem elaborada, com boa infraestrutura e apoio logístico, o que facilitou muito a participação das empresas”, diz.
A analista destaca que o contato com outros países e com o próprio mercado panamenho ampliou a sua visão estratégica de comércio exterior. “O evento contribuiu para conhecer o mercado local e também para trocar experiências com diferentes países. A parceria com a FIEPA e a Rede CIN é uma alavanca para a Amazon Polpas, porque nos dá visibilidade como indústria brasileira e paraense e nos coloca de frente para oportunidades reais de exportação”, pontua.
A expectativa é que as conexões abertas no Panamá se transformem em projetos concretos. “Enxergamos oportunidades para fortalecer a marca no mercado externo, desenvolver novos projetos ligados ao açaí e consolidar nossa atuação como indústria exportadora nos eventos impulsionados pela FIEPA”, completa Julian.
Para Gilberto Nobumasa, diretor executivo da Fortparaoil, a articulação via CIN é um diferencial para traduzir a realidade amazônica no ambiente internacional. “Essa articulação é muito importante, principalmente por sermos indústria. A FIEPA consegue fazer a tradução da necessidade da bioindústria amazônica, aproximando a nossa realidade do mercado e esclarecendo dúvidas quando falamos em indústria”, observa.
Ele ressalta ainda o perfil das rodadas de negócios. “A contribuição para o nosso negócio é gigante. São cerca de 150 compradores e, das rodadas que já participamos, a expectativa é de que teremos mais reuniões, com um público bem qualificado. A programação mostra que houve critério na seleção desses compradores, o que torna tudo mais proveitoso”, avalia.
Além das empresas, a missão também mobilizou instituições que atuam na base do empreendedorismo. O diretor-superintendente do Sebrae no Pará, Rubens Magno, diz que a participação paraense no fórum ampliou o acesso dos pequenos negócios a agendas internacionais. “Estar aqui é cumprir o papel de conectar os pequenos negócios do Pará a mercados, conhecimento e oportunidades. As rodadas e os diálogos permitem integrar países e debater caminhos para enfrentar desafios comuns”, afirma.
De acordo com ele, a troca vai além do comércio. “Essas agendas ajudam a construir soluções que impulsionam o crescimento econômico e, consequentemente, o desenvolvimento social do nosso estado”, acrescenta.
Durante o fórum, a delegação brasileira participou ainda de encontros estratégicos, como o Conselho Industrial do Mercosul e debates sobre inclusão e competitividade no comércio internacional, além de uma consulta empresarial sobre os desafios da mulher no comércio exterior na América Latina.















