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Empresas da bioeconomia do Pará prospectam novos mercados em missão empresarial no Panamá

 

Empresas paraenses da bioeconomia se destacaram na delegação brasileira que participou do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe (ALC), no Panamá. A missão, que aconteceu entre 27 e 30 de janeiro, foi resultado da articulação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e reuniu mais de 100 empresários do Brasil. A iniciativa promoveu uma intensa agenda de encontros com compradores, investidores e parceiros internacionais, abrindo espaço para que produtos da Amazônia, como açaí, óleos, castanhas e cosméticos naturais, avancem no comércio exterior.

 

A presença do Pará na missão foi apoiada pelo Centro Internacional de Negócios da FIEPA (FIEPA CIN) e contou com empreendedores interessados em transformar a vocação amazônica em oportunidades concretas de exportação. Um dos principais focos do evento foi a Rodada de Negócios América Latina e Caribe, que conectou empresas brasileiras a cerca de 150 compradores internacionais e 300 exportadores da região, com milhares de reuniões ao longo do evento.


 

Em 2025, as exportações brasileiras para o Panamá alcançaram US$ 1,6 bilhão, crescimento de 426% na última década, com a indústria de transformação respondendo por quase 90% do fluxo comercial. Além disso, o mercado panamenho concentra 647 oportunidades mapeadas para exportação, o que desperta o interesse de empresas que buscam diversificar mercados e ampliar presença internacional.

 

O presidente da FIEPA, Alex Carvalho, reforça que a instituição atua para transformar a presença institucional em resultados concretos para os empresários. “O papel da FIEPA, por meio do Centro Internacional de Negócios, é justamente aproximar o empresário paraense dessas oportunidades. Não se trata apenas de participar de eventos, mas de criar conexões reais, traduzir a realidade da nossa indústria para o cenário internacional e abrir caminhos para que empresas do Pará acessem novos mercados com mais segurança e estratégia”, afirma.

 

Nesta edição, o Brasil é o país convidado de honra. Para quem esteve no evento, a experiência ultrapassou as métricas numéricas. Julian Araújo, analista de Exportação da Amazon Polpas, avalia que o ambiente favoreceu conexões reais. “O evento foi sendo sensacional, fomentando a troca de conhecimento e com possibilidade de novos negócios. A programação foi bem elaborada, com boa infraestrutura e apoio logístico, o que facilitou muito a participação das empresas”, diz.

 

A analista destaca que o contato com outros países e com o próprio mercado panamenho ampliou a sua visão estratégica de comércio exterior. “O evento contribuiu para conhecer o mercado local e também para trocar experiências com diferentes países. A parceria com a FIEPA e a Rede CIN é uma alavanca para a Amazon Polpas, porque nos dá visibilidade como indústria brasileira e paraense e nos coloca de frente para oportunidades reais de exportação”, pontua.

 

A expectativa é que as conexões abertas no Panamá se transformem em projetos concretos. “Enxergamos oportunidades para fortalecer a marca no mercado externo, desenvolver novos projetos ligados ao açaí e consolidar nossa atuação como indústria exportadora nos eventos impulsionados pela FIEPA”, completa Julian.

 

Para Gilberto Nobumasa, diretor executivo da Fortparaoil, a articulação via CIN é um diferencial para traduzir a realidade amazônica no ambiente internacional. “Essa articulação é muito importante, principalmente por sermos indústria. A FIEPA consegue fazer a tradução da necessidade da bioindústria amazônica, aproximando a nossa realidade do mercado e esclarecendo dúvidas quando falamos em indústria”, observa.

 

Ele ressalta ainda o perfil das rodadas de negócios. “A contribuição para o nosso negócio é gigante. São cerca de 150 compradores e, das rodadas que já participamos, a expectativa é de que teremos mais reuniões, com um público bem qualificado. A programação mostra que houve critério na seleção desses compradores, o que torna tudo mais proveitoso”, avalia.

 

Além das empresas, a missão também mobilizou instituições que atuam na base do empreendedorismo. O diretor-superintendente do Sebrae no Pará, Rubens Magno, diz que a participação paraense no fórum ampliou o acesso dos pequenos negócios a agendas internacionais. “Estar aqui é cumprir o papel de conectar os pequenos negócios do Pará a mercados, conhecimento e oportunidades. As rodadas e os diálogos permitem integrar países e debater caminhos para enfrentar desafios comuns”, afirma.

 

De acordo com ele, a troca vai além do comércio. “Essas agendas ajudam a construir soluções que impulsionam o crescimento econômico e, consequentemente, o desenvolvimento social do nosso estado”, acrescenta.

 

Durante o fórum, a delegação brasileira participou ainda de encontros estratégicos, como o Conselho Industrial do Mercosul e debates sobre inclusão e competitividade no comércio internacional, além de uma consulta empresarial sobre os desafios da mulher no comércio exterior na América Latina.

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