FIPA 2026 abre programação com defesa de um “Pará por inteiro” e expectativa de receber 30 mil visitantes
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A batida da Amazônia por meio da Orquestra Sustentável SESI ecoou pelo Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia durante a abertura da XVII Feira da Indústria do Pará (FIPA 2026), nesta quarta-feira (20), reunindo representantes da indústria, poder público, instituições e lideranças políticas em um discurso marcado pela defesa da integração entre desenvolvimento econômico, sustentabilidade e inclusão social.
A cerimônia de abertura foi conduzida pelo presidente do Sistema FIEPA, Alex Carvalho, e contou com a presença da governadora do Pará, Hana Ghassan, além de autoridades do legislativo, executivo e judiciário, empresários e representantes da sociedade civil.
Com o tema “Amazônia: raiz do futuro”, a FIPA destaca a integração entre indústria e sustentabilidade na Amazônia. A dição deste ano também reforça discussões ligadas à bioeconomia, inovação e desenvolvimento regional.
Durante o discurso de abertura, Alex Carvalho iniciou a fala prestando homenagem póstuma ao presidente do Instituto Brasileiro de Mineração Raul Jungmann e ao ex-prefeito de Paragominas, Adnan Demachki, ambos lembrados por suas atuações ligadas ao desenvolvimento sustentável.
“Não há como abrir uma feira que celebra desenvolvimento, produção, futuro, sem reconhecer quem dedicou a vida a essas agendas. Raul e Adnan merecem nossas homenagens pela trajetória de vida como lideranças que debateram e agiram sobre temas centrais na vida brasileira”, declarou.
Na sequência, o presidente da FIEPA pontuou sobre uma dupla realidade do Pará. Existem “duas metades”, uma ligada à indústria e aos grandes números da economia, e outra sustentada pelo conhecimento tradicional, pela floresta e pela sobrevivência cotidiana.
“De um lado temos a metade que planeja em escala, com 27.914 estabelecimentos industriais, 258 mil empregos, 65,4 bilhões de reais em PIB. Aliás, crescimento de 5,4% no ano passado, bem acima de outros estados do país. Essa parte do estado fala em números, escala, projeções, enquanto a outra metade sobrevive do conhecimento tradicional, da floresta, da biodiversidade, muitas vezes distante dos indicadores econômicos”, afirmou Carvalho.
O dirigente destacou ainda que a Jornada COP+, movimento liderado pela Federação em prol da transição justa na Amazônia brasileira, buscou aproximar esses dois universos. Segundo ele, a iniciativa impactou 30 mil pessoas, reuniu 10 comitês temáticos, 153 organizações, 30 setores envolvidos e promoveu 50 ações com governança ativa.
“Não estamos aqui para confrontar governos, não estamos aqui para confrontar empresas, não estamos aqui para confrontar comunidades. Estamos aqui para reunir, oferecer visão, compartilhar dados, construir soluções”, declarou.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, participou da abertura por meio de vídeo exibido durante a cerimônia. Na mensagem, ele destacou o crescimento da indústria paraense e citou dados divulgados pelo IBGE. “Dados divulgados na semana passada pelo IBGE apontam que em março o estado do Pará teve a maior alta na produção industrial. Foi um crescimento de 4,5% em relação a fevereiro”, afirmou.
Alckmin também destacou o papel estratégico do Pará na discussão sobre minerais críticos e sustentabilidade. “O Brasil está disposto a manter parcerias com outras nações, sempre respeitando nossa soberania”, declarou.
A governadora Hana Ghassan reforçou o discurso de unidade e destacou os indicadores econômicos do estado. Segundo ela, o Pará atualmente cresce acima da média nacional e possui uma das maiores taxas de investimento do país. “Hoje, o Estado do Pará é o quarto Estado da Federação com a melhor taxa de investimento”, afirmou.
Ela também ressaltou os desafios estruturais ainda enfrentados pelo estado, principalmente na área de infraestrutura e verticalização da produção. “Sabemos que temos muitos desafios. A infraestrutura é um deles. E ao ler o plano estratégico da indústria, podemos constatar os enormes desafios que o Estado do Pará tem pela frente, para que a gente possa agregar valor, fortalecer as nossas cadeias produtivas e verticalizar”, disse.
Também em vídeo, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, destacou o papel da indústria no desenvolvimento econômico e social do país e defendeu maior integração nacional. “Não podemos ter desenvolvimento social sem crescimento econômico. Então, a indústria perpassa por toda essa realidade”, afirmou.
Alban também comentou os impactos da geopolítica mundial e da competição internacional sobre a indústria brasileira. “Precisamos agregar valor cada vez mais à nossa indústria, numa luta muito desigual com o nosso custo Brasil, com o que está acontecendo no mundo inteiro, com a geopolítica, com a revisitação das cadeias de valor do mundo inteiro”, disse.
A programação da XVII FIPA segue até o próximo dia 23 com rodadas de negócios e crédito, congresso técnico, debates sobre indústria, bioeconomia, sustentabilidade e inovação, além de atrações culturais e outras atrações abertas ao público.
A XVII FIPA é uma realização do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (Sistema FIEPA), em parceria com Sebrae e patrocínio das empresas Hydro, Vale, Alcoa, Prefeitura de Barcarena, Sicredi, Elis Circular, Ligga e Mineração Rio do Norte (MRN); com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), Agropalma, Cargill, Coca-Cola, Hidrovias do Brasil, Saint-Gobain, Suzano, Águas do Pará e apoio cultural da Equatorial Energia.















