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Hip-hop e literatura entram em cena para provocar novos olhares entre estudantes do SESI

  • há 6 horas
  • 3 min de leitura

Papo de Expertise, realizado no Teatro do SESI, reuniu artistas e alunos em uma conversa sobre cultura, educação, cidadania e as possibilidades de transformação por meio da arte



O Serviço Social da Indústria (SESI Pará) promoveu, na quarta-feira (12), no Teatro do SESI, em Belém, o Papo de Expertise – Música, Arte e Cidadania, iniciativa que reuniu estudantes, artistas e educadores em uma programação voltada à valorização da cultura e ao estímulo à reflexão, à criatividade e ao pensamento crítico. O encontro contou com a participação de alunos do 8º e 9º ano das Escolas SESI Belém, Icoaraci e Ananindeua, além de estudantes convidados da rede pública.


A programação trouxe para o palco experiências de artistas que também encontraram na educação um caminho para ampliar o alcance de suas produções. Mediado por Pelé do Manifesto, o encontro contou com a participação de Shayra Mana Josy e ZAK Arawak, que compartilharam com os jovens suas trajetórias no hip-hop, na literatura e na universidade, mostrando como a cultura pode ultrapassar os limites da produção artística e se tornar instrumento de formação.


Cultura como parte da formação

A atividade também reforçou a proposta do SESI Pará de utilizar diferentes experiências culturais como parte do processo de formação dos estudantes. Para a Gerente Executiva de Cultura do SESI Pará, Ana Cláudia Moraes, o encontro foi pensado justamente para estimular nos jovens a sensibilidade, a reflexão e um olhar mais crítico sobre a realidade. “O Papo de Expertise promove o encontro entre cultura, arte e educação. Hoje, especialmente, celebramos a poesia, a literatura e o encontro entre artistas. É um despertar de sensibilidade, de reflexão e de um olhar crítico para o mundo”.


Segundo a gerente, a iniciativa também valoriza a produção cultural da região e amplia o contato dos estudantes com artistas que utilizam diferentes linguagens para expressar suas experiências e perspectivas. “É isso que o Papo de Expertise trata: esse despertar de cidadania e, principalmente, a valorização do artista da nossa região”.


Mais do que assistir às apresentações e ouvir os convidados, os estudantes participaram ativamente da conversa, fizeram perguntas e tiveram contato com perspectivas que normalmente não fazem parte do cotidiano da sala de aula. Para Helena Tavares, aluna do SESI, experiências como essa ampliam as formas de aprender. “Aqui no SESI, a gente tem opções de sair mais da sala de aula e participar dessas dinâmicas. É uma aula mais diversa, em que podemos aprender mais, fazer perguntas e ter uma interação maior com os convidados e, nesse caso, com os artistas que estão aqui”.


Para Pelé do Manifesto, aproximar o hip-hop do ambiente escolar permite apresentar aos estudantes outras possibilidades de aprendizado. Segundo ele, muitas das referências que adquiriu ao longo da vida chegaram por meio da curiosidade despertada pelas letras de rap.  “Muito do que eu aprendi na vida veio através da curiosidade do hip-hop. O rap me ajudava a pesquisar sobre temas, autores e pensadores. É uma linguagem que se aproxima mais do jovem e pode despertar o interesse por determinados assuntos”.


A relação entre cultura e educação também esteve no centro da fala de Shayra Mana Josy. Para a rapper e escritora, levar o hip-hop para as escolas amplia as possibilidades de trabalhar conteúdos de maneira mais próxima da realidade dos estudantes, especialmente por se tratar de uma manifestação que nasceu e se desenvolveu a partir das experiências de populações historicamente marginalizadas. “O hip-hop trata da realidade de uma população menos favorecida, mas que movimenta toda uma sociedade. Ter um olhar acessível para isso é conseguir fazer com que a cultura seja muito mais bem aproveitada na sala de aula”.



Para ZAK Arawak, agente cultural, escritor, MC, poeta e graduando em Ciências Sociais pela UFPA, essa trajetória evidencia o potencial do hip-hop como instrumento educacional e de transformação. Ele destacou aos estudantes que a manifestação cultural também pode funcionar como uma espécie de orientação para quem busca novos caminhos. “O hip-hop também é uma ferramenta educacional e sociológica. Ele é uma bússola que guia e influencia nesse âmbito educacional, inclusive no ingresso no ensino superior”.



Realizado pelo SESI Pará, o Papo de Expertise – Música, Arte e Cidadania integra as ações da instituição voltadas à cultura e à formação integral dos estudantes. Ao colocar artistas, educadores e jovens no mesmo espaço, a iniciativa amplia o repertório dos participantes e mostra que o conhecimento também pode nascer da música, da poesia, da literatura e das experiências compartilhadas.


 
 

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