Indústria do Pará avança em agenda internacional
- 21 de abr.
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“O momento é bastante oportuno e de otimismo para a abertura de novos mercados”, afirmou o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Alex Carvalho, no primeiro dia do 42º Encontro Econômico Brasil Alemanha (EEBA). O evento começou nesta segunda-feira, 20, em Hannover, e integra a programação da Hannover Messe 2026 — considerada a principal vitrine global da inovação industrial. O presidente da FIEPA participa da missão empresarial organizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil).
Empresários paraenses também integram a comitiva, em grupo organizado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da FIEPA. Segundo Carvalho, a presença paraense reforça a estratégia de inserção internacional da indústria amazônica com foco em valor agregado, tecnologia e novos mercados. O presidente explica que, ampliar a pauta de exportação da indústria paraense passa necessariamente por inovação e cooperação internacional. “A troca de tecnologia, conhecimento e pesquisa permite ampliar nossa base exportadora, desenvolver novos produtos e cadeias produtivas, agregando valor ao que hoje ainda é majoritariamente exportado como matéria-prima”, destacou.
Esta é a terceira vez da FIEPA na feira, e a primeira com a presença direta de empresas do estado.

Os números reforçam a relevância dessa inserção. Em 2025, o Pará foi o terceiro maior estado exportador brasileiro para a Alemanha, com 11,69% de participação na balança nacional. As exportações somaram US$ 763 milhões — crescimento de 8,69% — com destaque para minérios de cobre e seus concentrados. Já as importações alcançaram US$ 52 milhões, tendo como principal item o coque de petróleo calcinado, insumo importante para as cadeias mineral e metalúrgica.
A edição de 2026 da Hannover Messe reúne cerca de 5 mil expositores de mais de 70 países e deve receber mais de 200 mil visitantes até o próximo dia 24, com foco em indústria 4.0, inteligência artificial, energias renováveis e economia circular. O Brasil é o país parceiro oficial desta edição, com um pavilhão de 2.660 m² distribuído em seis halls.
Integração estratégica e futuro da indústria
A abertura oficial do EEBA contou com a presença do presidente da CNI, Ricardo Alban, do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz.
Ricardo Alban destacou o potencial do Brasil como parceiro estratégico da Alemanha, especialmente na área de biocombustíveis e minerais críticos. “O Brasil produz energia renovável de forma sustentável e possui reservas fundamentais para a transição energética global. Mas não queremos ser apenas exportadores de recursos naturais — buscamos agregar valor e desenvolver cadeias industriais completas”, afirmou.
O presidente Lula reforçou o papel do país na agenda global de energia limpa. “Quem quiser produzir com energia barata e limpa deve buscar o Brasil. Temos oportunidades crescentes em setores decisivos para o futuro”, disse, ao citar exemplos de tecnologias nacionais expostas na feira, como veículos movidos a biodiesel com redução significativa de emissões.
Já Friedrich Merz apontou o Acordo Mercosul União Europeia como peça-chave para ampliar o comércio bilateral. “Vamos dobrar esse volume com o acordo. As empresas alemãs certamente ampliarão sua presença no Mercosul”, afirmou.

Relação histórica e perspectivas
O Encontro Econômico Brasil Alemanha é promovido anualmente pela CNI em parceria com a Federação das Indústrias Alemãs (BDI), alternando sua realização entre os dois países. A última edição ocorreu em Salvador, em 2025.
Atualmente, a Alemanha é o 11º principal destino das exportações brasileiras. Em 2025, o comércio bilateral registrou US$ 6,5 bilhões em exportações brasileiras e US$ 14,4 bilhões em importações. A meta anunciada pela CNI é dobrar esse fluxo para US$ 40 bilhões nos próximos cinco anos.
Com laços históricos consolidados desde o século passado, a parceria entre Brasil e Alemanha entra em uma nova fase, impulsionada pela transição energética, pela digitalização industrial e pela reconfiguração das cadeias globais de valor — um cenário em que estados como o Pará buscam assumir papel mais estratégico, deixando de ser apenas fornecedores de matéria-prima para se tornarem protagonistas de uma indústria mais sofisticada e competitiva.






