Indústria no combate ao desmatamento ilegal: conheça programa realizado pela Jornada COP+
- Mayra Leal
- 21 de set. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 16 de out. de 2025

Tolerância zero ao desmatamento e às queimadas ilegais e ações de combate a estas práticas. Este é o foco do Programa pelo Combate ao Desmatamento e Queimadas Ilegais realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), no escopo da Jornada COP+.
A ação liderada pelo setor privado, indústrias e agroindústrias paraenses, terá grupo de influência sobre os assuntos abordados, estudo sobre o custo econômico do desmatamento no Pará, observatório florestal com produção e sistematização de dados; e espaço para a visibilidade de cases e boas práticas das indústrias e agroindústrias que aderirem ao termo de compromisso.
O cronograma de atividades inicia neste ano e vai até 2030. Ainda em 2025, um dos resultados esperados é a entrega de uma carta compromisso assinada pelos setores de grãos, madeira, carne e outros que aderirem ao programa. Com o avanço das soluções propostas, a ideia é que para além do Pará, o programa seja replicado nos outros oito estados da Amazônia Legal: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão.
Desmatamento na Amazônia
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE, registraram redução de 30,63% na taxa de desmatamento na Amazônia, entre agosto de 2023 a julho de 2024. A estimativa é a mais recente gerada pelo Prodes, sistema do Instituto com imagens de satélites mais precisas. Foi a maior queda percentual em 15 anos.
Já em 2025, dados do Deter, sistema do Instituto que emite alertas diários, registrou, em fevereiro, o menor índice de desmatamento para o mês desde o início da série histórica, em 2016. A redução foi de 64,26%. Porém os meses de abril e maio, considerados críticos pelos especialistas, voltaram a registrar aumento. Em abril, o crescimento dos alertas de desmatamento foi de 55% e em maio foi de 92%, ambos em comparação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do acumulado entre agosto de 2024 e abril de 2025 apontar queda de 5% no desmatamento, o crescimento pontual acende um sinal de alerta.
O Brasil tem o compromisso de zerar o desmatamento ilegal, aquele sem a devida autorização dos órgãos ambientais competentes, até 2030. Por isso, de acordo com Alex Carvalho, presidente da FIEPA e da Jornada COP +, a criação do programa é a contribuição do setor privado nessa força tarefa. “Ao não tolerarmos as ilegalidades, estamos enfrentando de frente o fato de que o desmatamento ilegal destrói a floresta, polui os rios, mas também corrói a reputação da Amazônia com impactos econômicos e geopolíticos profundos. Nós, da indústria, reafirmamos nosso compromisso de integrar essa força-tarefa de zerar o desmatamento ilegal até 2030, com ações coordenadas, ampla mobilização social e engajamento de todos os setores econômicos”, explica.

Para o presidente do Conselho Temático de Assuntos Legislativos da FIEPA e líder do programa, Francisco Victer, a iniciativa é uma resposta do setor produtivo a estas ilegalidades, que além de serem um problema ambiental, trazem impactos econômicos. “Não estamos dispostos a contribuir para o agravamento do problema. Pelo contrário, queremos combatê-lo de forma efetiva”, afirma.
O coordenador técnico da Jornada COP+, Deryck Martins, destaca o ineditismo do programa. “É a primeira vez que o setor privado cria ações no sentido de combater diretamente o avanço do desmatamento ilegal e ocorrência de queimadas, que são práticas que trazem prejuízos imensos pela destruição das florestas e perda de biodiversidade, fundamentais para a manutenção do clima”, ressalta.
Entenda como o programa vai funcionar
O programa tem três componentes principais: o de diagnóstico, para entender as ilegalidades e o quanto o setor empresarial perde com essas práticas; o de engajamento, ao envolver em empresas de setores que se relacionam diretamente com a produção, principalmente na economia; e o de ação direta, com a identificação dos pontos, focos de desmatamento e queimadas e o reporte dessas informações. “Vamos identificar dentro das regiões do Pará, onde nós temos atividades de pecuária, agricultura, manejo florestal, mineração, palma e tantos outros setores, para envolver essas lideranças que estão na ponta do processo. A gente pretende que essas empresas e esses líderes se envolvam no projeto para que a gente consiga ter os resultados esperados”, explica Deryck Martins.

Os primeiros setores a serem engajados serão o da carne, da madeira e o de grãos. Mas a proposta não é engajar apenas empresas. O programa quer envolver o cidadão comum, fazendo com que ele seja protagonista de ações de conscientização, monitoramento e articulação com o poder público para coibir as práticas predatórias.
Segundo o líder do programa, o setor privado entende que é necessário que a população contribua com informações e denúncias, pois um dos focos será a identificação dos potenciais desmatadores para ações preventivas. “A sociedade não tem poder de polícia, mas pode se aproximar de quem está prestes a desmatar e mostrar os impactos negativos que isso traz para a região e para a atividade econômica. Quando o diálogo não for suficiente, acionaremos as autoridades competentes”, explica Francisco Victer.
A iniciativa também procura estimular práticas produtivas sustentáveis, com uso de tecnologia, gestão eficiente e governança responsável. Estão previstas ações de ESG no entorno de grandes empreendimentos, capacitação de pequenos produtores e apoio às brigadas de incêndio. A expectativa é que as ações implementadas sirvam de exemplo para outras regiões e sejam integradas à agenda oficial da COP30, ampliando o impacto do evento e fortalecendo o protagonismo amazônico no debate global sobre o clima.

Com isto, a proposta é estabelecer um ambiente positivo e de práticas que aliem produção do setor privado e conservação do bioma amazônico, fortalecendo o ambiente empresarial para atração de investimentos públicos e privados no estado. “Defendemos o uso legal e inteligente da floresta, com manejo sustentável, restauração de áreas degradadas e transparência nos dados. Só assim vamos provar que em uma transição justa, crescimento econômico e floresta em pé são, sim, faces da mesma moeda”, conclui Alex Carvalho, presidente da FIEPA.
Texto de Mayra Leal.












