Indústria paraense registra saldo positivo nas contratações formais de trabalho
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O mercado de trabalho formal no Pará, no segmento industrial, voltou a registrar saldo positivo em fevereiro de 2026, revertendo o resultado negativo observado no mês anterior. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), analisados pelo Observatório da Indústria da FIEPA, a indústria paraense fechou o período com a criação líquida de 1.099 postos de trabalho, impulsionado principalmente pelos setores da construção civil e da indústria.
O resultado decorre de 12.347 admissões frente a 11.248 desligamentos, representando um crescimento de 245,56% no saldo em relação a janeiro. O avanço foi viabilizado por um aumento de 5,04% nas contratações e, sobretudo, pela redução de 10,08% nos desligamentos.
Apesar da recuperação no curto prazo, o desempenho ainda indica desaceleração na comparação com o mesmo mês de 2025. Na análise interanual, o saldo de vagas caiu 46,33%, passando de 2.048 para 1.099 postos. A retração está associada à queda de 7,71% nas admissões, enquanto os desligamentos permaneceram praticamente estáveis, com leve recuo de 0,73%. O resultado do ano passado foi influenciado pelo dinamismo econômico gerado pela realização da COP30 em Belém, que elevou o ritmo de geração de empregos naquele período.
Dentro desse cenário, o setor industrial paraense teve papel relevante na retomada do emprego formal. As indústrias de transformação registraram saldo positivo de 216 vagas, enquanto as indústrias extrativas contribuíram com outras 195, consolidando a indústria como um dos principais motores da geração de empregos no estado em fevereiro.
O desempenho da indústria de transformação reflete a dinâmica de segmentos específicos, com destaque para atividades ligadas à cadeia de energia e infraestrutura. Entre as subclasses com maior geração de empregos, sobressaem a manutenção de redes de distribuição de energia elétrica, com saldo de 385 vagas, e a montagem de estruturas metálicas, que adicionou 271 postos de trabalho.
Por outro lado, o setor também apresentou retrações pontuais. A fabricação de óleos vegetais em bruto registrou saldo negativo de 268 vagas, evidenciando a heterogeneidade do desempenho industrial no período e a influência de fatores sazonais e produtivos em segmentos específicos.
A construção civil liderou a geração de empregos no estado, com saldo de 510 vagas, reforçando sua forte capacidade de encadeamento com a indústria, especialmente nos segmentos de insumos, estruturas metálicas e serviços especializados.
Esse movimento também se refletiu nas ocupações com maior geração de vagas, como serventes de obras (+292) e instaladores de linhas elétricas (+238), funções diretamente relacionadas tanto à construção quanto à atividade industrial associada à infraestrutura.
Dinâmica regional concentra resultados
A análise geográfica mostra que a geração de empregos esteve concentrada em polos estratégicos do estado. Parauapebas apresentou o maior saldo positivo, com 948 vagas, impulsionado principalmente pela contratação de serventes de obras e montadores de máquinas. Santarém aparece na sequência, com saldo de 395 postos, influenciado pela demanda por instaladores de linhas elétricas.
Em contrapartida, o município de Tomé-Açu registrou o maior saldo negativo (-240 vagas), reflexo direto do desligamento de trabalhadores ligados à cultura do dendê, atividade relevante para a economia local.
“Os dados de fevereiro indicam uma retomada do mercado de trabalho formal no Pará, ainda que em ritmo mais moderado do que o observado no ano anterior. A indústria, especialmente nos segmentos de transformação e extrativo, segue desempenhando papel estratégico nesse processo, contribuindo para a geração de empregos e sustentando a dinâmica econômica estadual”, explica Felipe Freitas, gerente do Observatório.






