Presidente da FIEPA destaca oportunidades para indústria paraense durante missão na Alemanha
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“Ficaram muito nítidas as oportunidades decorrentes dessa aproximação entre o Pará e o mercado alemão. Estamos diante de uma indústria referência em automação, inteligência artificial, produtividade e sustentabilidade. Isso pode representar um grande avanço, por exemplo, para o parque fabril paraense”, destacou o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Alex Carvalho, durante missão empresarial na Alemanha. Uma comitiva da FIEPA cumpre agenda no país europeu desde o início da semana, até a próxima sexta-feira, 24, com destaque para a participação na Hannover Messe 2026, considerada a maior feira de inovação industrial do mundo.
O intercâmbio empresarial foi organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), reunindo 270 lideranças industriais de todo o país. Na metade da missão, Alex Carvalho já faz um balanço positivo. Segundo ele, a iniciativa vai além da observação de tendências, e busca gerar conexões concretas para o desenvolvimento industrial. “Estamos aqui também para mostrar ao mercado alemão o que produzimos e quais são as nossas potencialidades”, afirmou.
Nesta quarta-feira (22), a comitiva esteve na fábrica da Volkswagen, em Wolfsburg, onde foi formalizada uma parceria entre a CNI, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Serviço Social da Indústria (SESI), com a montadora alemã. O acordo, assinado pelo presidente da CNI, Ricardo Alban, e pelo presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto Júnior, tem como foco a formação profissional alinhada às transformações da indústria.
Durante a assinatura, Alban ressaltou a importância do acordo para o desenvolvimento tecnológico de trabalhadores da indústria brasileira, e para que acompanhem a modernização do setor automotivo, com a automação cada vez maior e o uso da inteligência artificial. “Essa parceria é muito importante para a formação de profissionais, e para novos projetos da Volkswagen Brasil. Vamos fazer de tudo para corresponder às expectativas e ampliar essa relação de mais de 50 anos do SENAI com a Volkswagen”, destacou.
Potencialidades e desafios para a indústria paraense
O presidente da FIEPA também enfatiza o potencial de agregação de valor à produção local com todas as experiências vividas na Alemanha. “Temos uma possibilidade significativa de crescimento da agroindústria, com agregação de valor dentro do próprio estado. Ao conhecer essas expertises em inovação e tecnologia, conseguimos fortalecer cadeias produtivas, gerar empregos e ampliar nossa base industrial”, afirmou.
Outro ponto ressaltado por Alex Carvalho é a complementariedade entre as economias brasileira e alemã. “Muitas indústrias paraenses já são importadoras de equipamentos, e o polo metalmecânico alemão pode contribuir diretamente para estruturar nosso processo fabril. Isso abre espaço para uma cooperação baseada na troca de conhecimento, transferência de tecnologia e ampliação dos interesses comerciais entre Pará e Alemanha”, disse.
Ele também chamou atenção para os desafios da transformação digital. “A inteligência artificial é uma realidade e não elimina empregos, mas transforma funções. Por isso, temos fortalecido a capacitação profissional por meio do SENAI e ampliado ações do SESI, IEL e da própria federação para aproximar inovação e indústria, inclusive com o ecossistema de startups. A assinatura do acordo com a Volkswagem é um sinal muito positivo que estamos no caminho certo”, explicou.
Internacionalização – Paralelamente à programação dos presidentes das Federações das Indústrias, um grupo de empresárias paraenses participa da programação, na Alemanha, com apoio do Centro Internacional de Negócios (CIN) da FIEPA.
O grupo também realizou visita técnica à fábrica da Mercedes-Benz, na região de Hannover, onde pôde observar práticas avançadas da indústria alemã. “Vimos robôs e pessoas trabalhando em harmonia, com alto nível de tecnologia. Enquanto no Brasil ainda se discute muito, na Alemanha já se tem muita aplicação prática desses conceitos”, relatou Cassandra Lobato, gerente do CIN.
Para Daniela Cury, empresária do ramo de biocosméticos, “a missão tem sido uma oportunidade bem importante de networking, principalmente entre empresas brasileiras e alemãs”. Segundo ela, foi possível, inclusive, reunir com representantes de uma instituição de pesquisa local interessados em ingredientes amazônicos.
Ela afirma ter percebido que o mercado alemão está bem interessado e aberto ao produto brasileiro, com uma compreensão da Amazônia como fonte de produtos e insumos naturais e sustentáveis, e comemora a chance de mostrar que a região também tem produtos de alto valor agregado, destacando a existência de tecnologia verde, e centros de pesquisa inovadores com soluções tanto para o mercado nacional quanto internacional.
A programação segue ao longo da semana, com foco na ampliação de parcerias, atração de investimentos e fortalecimento da presença da indústria brasileira — e do Pará — no mercado internacional.



