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Projeto prevê refinaria e fundição de metais preciosos na ZPE de Barcarena

há 1 hora
4 min de leitura

Empreendimento da Bravo Metals será âncora da Zona de Processamento de Exportação e deve iniciar operação em 2028


A instalação de uma refinaria e de uma fundição de metais preciosos, fundamentais para a descarbonização, na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Barcarena, pela Bravo Metals (subsidiária da Bravo Mining), deve ampliar a verticalização da cadeia mineral no Pará. O projeto, apresentado nesta quarta-feira (9) na Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), prevê o processamento de minerais como platina, paládio e ródio (platinoides ou metais do grupo da platina), além de níquel e ouro.


O empreendimento foi apresentado pelo CEO da Bravo Mining, Luís Azevedo, durante um encontro que reuniu autoridades, representantes do setor produtivo e gestores da FIEPA. Segundo o gestor, este será o primeiro projeto de mineração a verticalizar a produção da cadeia mineral no Pará, permitindo que etapas de maior valor agregado sejam realizadas no próprio estado. A reunião foi conduzida pelo presidente do Sistema FIEPA, Alex Carvalho, e teve como foco uma apresentação detalhada do Projeto Luanga e da estrutura industrial planejada para Curionópolis, onde ficarão a mina e a planta de beneficiamento, e para Barcarena, na área da ZPE, onde ficarão a refinaria e a fundição (smelter).


A Bravo Metals prevê implantar a refinaria e a fundição em uma área de 50 hectares dentro da ZPE de Barcarena. A Bravo será a empresa âncora da ZPE e, por meio da verticalização da produção mineral, agregará valor ao produto a ser exportado e fortalecerá as cadeias produtivas existentes em Barcarena e no Pará, como as de fertilizantes, cimento e agronegócio, com a comercialização, no estado, dos subprodutos gerados, como ácido sulfúrico e escória, utilizados por essas cadeias, fazendo do projeto da Bravo na ZPE um exemplo de economia circular.


O Projeto Luanga está localizado em Curionópolis, no sudeste do Pará, onde a Bravo Mining desenvolve a exploração de minerais estratégicos e de alto valor, importantes para a descarbonização e a transição energética.


A previsão é de geração de cerca de 500 empregos durante a fase de construção da planta e outros 400 na operação, com expectativa de que 80% da mão de obra seja paraense. A unidade terá ainda capacidade para produzir aproximadamente 120 mil toneladas de ácido sulfúrico a partir do processo industrial, como parte da estratégia de economia circular prevista para o empreendimento.


Para o presidente do Sistema FIEPA, Alex Carvalho, a chegada do projeto à ZPE amplia as perspectivas de industrialização e de agregação de valor às cadeias produtivas paraenses. “A ZPE de Barcarena é estratégica porque fortalece as vocações produtivas do Pará e cria condições para avançarmos na verticalização da nossa produção. Temos cadeias já consolidadas e com presença no mercado internacional, como a mineral, a de madeira e móveis, carne e frutas, que podem ampliar a agregação de valor dentro do próprio estado. A ZPE abre novas possibilidades para esse processo, especialmente para o setor mineral, com projetos capazes de impulsionar uma indústria mais integrada, atrair novos investimentos e gerar mais oportunidades para o Pará”, afirmou Alex Carvalho.


Agregação de valor e economia circular


Segundo o CEO da Bravo Mining, a implantação da unidade em Barcarena está prevista para 2028 e permitirá que uma etapa de maior valor agregado da cadeia mineral seja realizada no próprio Pará, reduzindo os custos associados à exportação do concentrado. “Se não tomássemos essa decisão, teríamos que exportar o concentrado, o que representaria um custo logístico muito elevado. Além disso, como há poucos compradores desse material no mundo, há uma pressão muito grande sobre o preço”, explicou Luís Azevedo.

Outro diferencial do projeto apresentado é o reaproveitamento dos resíduos e gases gerados no processo produtivo da Bravo na ZPE. Os gases de enxofre gerados serão tratados em uma planta específica para geração de ácido sulfúrico, e a escória (resíduo gerado no processo de fundição) será reaproveitada, respectivamente, pelas indústrias de fertilizantes localizadas no polo industrial de Barcarena e pela indústria cimenteira e/ou pelo agronegócio no estado. Segundo Azevedo o projeto é um exemplo de economia circular: o que antes seria resíduo passa a ser reaproveitado como produto no próprio estado do Pará, tornando as cadeias produtivas mais competitivas pelo acesso facilitado a esses produtos.




Atração de novos investimentos


Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Mauro Bastos, a instalação de uma empresa do porte da Bravo Mining como âncora da ZPE pode contribuir para a atração de outros empreendimentos e para o fortalecimento da economia paraense. “Consideramos este um projeto importante não só para Barcarena, mas para todo o estado do Pará. Estamos trabalhando pela verticalização da produção e acreditamos que a Bravo, como empresa-âncora da ZPE, poderá atrair outras empresas e contribuir para ampliar o desenvolvimento do estado”, afirmou.


O secretário de Estado da Fazenda, René de Oliveira e Sousa Júnior, destacou a necessidade de manter o Pará competitivo na atração de empreendimentos diante das mudanças no ambiente tributário nacional. “Temos trabalhado de forma muito ativa para atrair a indústria e criar condições para novos investimentos no Pará. Com as mudanças trazidas pela reforma tributária, precisamos construir instrumentos que permitam ao Estado continuar competitivo, atraindo e mantendo investimentos e estimulando a criação e a manutenção de empregos”, afirmou.


Para Antonio de Pádua Rodrigues, diretor da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), a aprovação da ZPE resulta de uma articulação entre diferentes instituições e setores econômicos do estado. A expectativa é de que as obras sejam iniciadas no primeiro semestre de 2027. Segundo o diretor, a próxima etapa exigirá a continuidade da articulação entre poder público, setor produtivo e demais instituições envolvidas na implantação. “É necessário criar esse mecanismo de união e de afinidade de trabalho. Pensamos até na criação de uma comissão para avançarmos nesse ponto. Agora, com a ZPE aprovada, temos dois anos para implantar pelo menos 10% da construção”, explicou.



 
 

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