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Feira da Indústria do Pará apresentou a força da bioeconomia amazônica

  • há 13 minutos
  • 3 min de leitura

O potencial da bioeconomia amazônica e a força dos pequenos e médios empreendedores que transformam insumos da floresta em negócios sustentáveis foram destaque no Espaço Made in Pará, durante a XVII Feira da Indústria do Pará (FIPA 2026). Durante os quatro dias de feira, expositores celebraram resultados positivos em vendas, ampliação de redes de contato e novas oportunidades de mercado, incluindo perspectivas de exportação.


A empreendedora Águida Pereira, proprietária da marca de licores artesanais “Paladar Nobre”, produzidos a partir de uma receita familiar com mais de 200 anos de história, firma que a feira abriu portas para novos horizontes comerciais. Durante a programação, Águida recebeu uma proposta para iniciar negociações de exportação do produto.


“Uma pessoa que atua nessa área de intercâmbio de produtos provou o meu licor, analisou o meu produto de um modo geral e disse que precisamos conversar para dar início ao processo de exportação. Eu deixo essa edição da FIPA muito feliz e esperançosa de novos negócios”, afirmou.


A valorização dos insumos amazônicos também marcou o trabalho da artesã Maria do Socorro Magalhães, da marca “Socorro Magalhães”, especializada em bolsas e biojoias produzidas a partir da fibra de bananeira, sementes, madeiras reaproveitadas e tingimentos naturais.


“Eu vou utilizando esse material que a natureza vai descartando e vou trabalhando as minhas biojoias e as bolsas. Utilizo o pariri, a castanha-do-pará, o açafrão e a casca da cebola no tingimento. A fibra de bananeira aceita perfeitamente esses outros insumos”, explicou.


Quem também encontrou no Made in Pará uma vitrine para divulgar produtos sustentáveis foi a produtora Elisonete Marciana Lisboa, que trabalha com geleias, cocadas e biscoitos feitos a partir de frutas amazônicas. Ela destaca que a sustentabilidade também faz parte da relação com os clientes, por meio da reutilização de embalagens.


“Eu faço uma troca com o cliente. Quando ele devolve o potinho, ganha desconto nas próximas compras. Fica bom para mim, para ele e para o meio ambiente”, contou.


A bioeconomia esteve presente ainda no projeto “Joias da Amazônia”, desenvolvido pelo Instituto Elabora Social em parceria com a FIEPA e patrocínio da Hydro. A iniciativa reuniu 14 mulheres artesãs de diferentes territórios do Pará para a criação de biojoias feitas com biomateriais amazônicos e alumínio reciclado.


A coordenadora do instituto, Beatriz Delgado, explicou que o projeto busca fortalecer o empreendedorismo feminino e ampliar o alcance comercial das artistas.


“O instituto é uma ponte para que elas possam chegar em outros lugares, tanto para vender quanto para participar de feiras e futuramente exportar”, destacou.


As peças unem técnicas artesanais e matérias-primas como miriti, látex, sementes, escamas, cerâmica marajoara e madeiras de manejo florestal certificado. Uma das participantes é a artesã Patrícia Pamplona, que desenvolve joias artesanais em macramê há nove anos e viu no projeto a oportunidade de unir uma técnica pouco conhecida na região à identidade amazônica.


Outra empreendedora que chamou atenção foi Giana Rocha, criadora da marca Giana Rocha Bolsas Artesanais. Desde 2012, ela desenvolve bolsas, colares e peças decorativas utilizando folhas esqueletizadas de plantas amazônicas, em um processo natural sem uso de soda cáustica.


“Eu tenho que esperar o tempo da natureza. Algumas folhas levam de oito dias até um ano e meio dentro da água para que fique apenas o esqueleto da planta e eu possa aplicar nas bolsas”, explicou.


Para Giana, a bioeconomia deixou de ser tendência e passou a ser uma necessidade global. “O pequeno produtor que utiliza esses insumos da natureza se torna uma força gigantesca para o mercado mundial, mostrando que existe a possibilidade de gerar riqueza, renda e trabalho com sustentabilidade”, afirmou.



O setor alimentício também marcou presença no espaço. A Amazônia Cacau, fundada em 2013, apresentou produtos feitos a partir da amêndoa do cacau produzida no Pará. A gestora comercial da marca, Rosali Vasconcelli, destacou que a empresa ainda busca consolidar o mercado nacional antes de avançar para a exportação.


“A FIPA está sendo maravilhosa. Pessoas de outros estados vieram conhecer o nosso produto e levaram para seus estados. Isso é muito importante porque a feira é um aglomerado de negócios que fortalece toda a cadeia produtiva”, ressaltou.

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