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Road Show em Belém aproxima produtos da bioeconomia paraense ao mercado canadense

há 11 minutos
4 min de leitura


Encontro da CCBC com FIEPA e FIEPA CIN reuniu, nesta quarta-feira (dia 30), dezenas de empresários locais interessados em negócios internacionais



Dezenas de empresários paraenses manifestaram interesse em fazer negócios com empreendedores canadenses nesta quarta-feira (30/09), durante o Road Show Pará-Canadá, promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), em Belém, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) e o Centro Internacional de Negócios do Pará (FIEPA CIN), com apoio da FIEPA Redes.


O encontro no Pará reuniu cerca de 50 empresários do ramo do açaí, frutas, bebidas e cosméticos da Amazônia que ficaram lado a lado com os de mineração e móveis, além de outros segmentos da economia paraense. Pela manhã, a CCBC apresentou oportunidades de negócios no mercado canadense. À tarde, 22 empresários locais passaram por atendimentos personalizados para descobrir como se conectar a compradores e parceiros do Canadá.


O encontro foi realizado no Salão de Eventos da FIEPA e teve a programação aberta pelo presidente da Federação, Alex Carvalho, que destacou o potencial de ampliação das relações comerciais entre o Pará e o Canadá. “Esta é uma importante iniciativa para fortalecer uma relação que já se estabelece de forma sólida em setores como mineração, madeira e carne e que pode avançar para segmentos como fármacos, cosméticos, alimentos e bebidas. Temos muito a crescer e a aproveitar essas oportunidades, com inovação, tecnologia e compartilhamento de expertises, além de avançar na verticalização da produção e na agregação de valor. Esse é um caminho importante para enfrentarmos os desafios socioambientais e econômicos do nosso estado e do país, ao mesmo tempo em que geramos benefícios para os dois mercados”, afirmou.


Na sequência, representantes da CCBC mostraram dados do mercado canadense e oportunidades para os produtos do Pará. Uma rodada de perguntas do público encerrou as atividades da manhã. “Percebemos que há muito interesse de empresários paraenses em fechar negócios no Canadá”, afirma Arminio Calonga Jr, consultor de negócios da CCBC. “Estamos aqui para ajudar nesta conexão e assim agiremos em um futuro breve”, complementou.


A diversificação da pauta exportadora foi o fio condutor das apresentações. Em 2025, o comércio entre o Pará e o Canadá somou cerca de US$ 712 milhões, com US$ 687,1 milhões em exportações paraenses e apenas US$ 24,9 milhões em importações. Alumina calcinada, bauxita e caulim concentram as vendas. O estado já lidera as exportações brasileiras de caulim e de madeiras tropicais perfiladas para o Canadá e ocupa o segundo lugar em alumina calcinada e ouro. A mineração segue como base da relação comercial entre o Pará e o Canadá e vai continuar. A proposta é agregar novos itens a essa pauta e diversificar os negócios entre o estado e o país.


Além dos minérios, a CCBC destacou o potencial da bioeconomia em alimentos, bebidas, ingredientes, moda e cosméticos, com produtos exclusivos do ecossistema amazônico, de origem extrativista e de tradição indígena. Para conquistar o consumidor canadense, conforme apontou a apresentação da Câmara feita aos empresários, é preciso comunicar com clareza a história, a tradição e o valor de cada produto. Na mineração, as frentes apontadas incluem minerais críticos e terras raras, alumínio e cobre de baixo carbono e tecnologias de descarbonização.




“O Canadá é um mercado estratégico para a diversificação dos destinos das exportações paraenses e para levarmos a qualidade da nossa indústria e a sustentabilidade presente em nossa produção a novos consumidores. A parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Canadá também abre caminho para novas ações e aproxima ainda mais nossas empresas desse mercado. Para o Sistema FIEPA, essa conexão é fundamental para apoiar a internacionalização da indústria paraense e ampliar sua presença no exterior”, afirma Cassandra Lobato, gerente do Centro Internacional de Negócios da FIEPA (FIEPA CIN).


O cenário internacional de hoje favorece essa aproximação. Em 2026, os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre US$ 27,6 bilhões em produtos canadenses, o que levou o Canadá a buscar novos fornecedores e parceiros. No primeiro semestre, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá cresceu 15% sobre igual período de 2025 e chegou a US$ 5,47 bilhões.


Para a empresária Erika D’Antona, da Paladar Amazônico, foodtech do segmento industrial de alimentos localizada no município de Ananindeua, Região Metropolitana de Belém, o mercado canadense representa uma oportunidade estratégica para ampliar os negócios e levar os sabores da Amazônia a novos consumidores.


“Nossa empresa atua na produção e comercialização de produtos com sabores típicos da região amazônica, como geleias e molhos produzidos com frutas regionais. Este encontro foi muito importante porque nos mostrou o potencial que temos para fornecer ao mercado canadense produtos à base de cupuaçu, açaí e bacuri. Sabemos que o açaí já é muito conhecido e que o cupuaçu também vem ganhando espaço. Fiquei muito satisfeita em saber que o bacuri também começa a despertar interesse. Queremos apresentar nossas geleias e molhos de frutas amazônicas ao mercado internacional, especialmente ao Canadá”, destacou.


Pitc de Negócios



O Laboratório São Lucas, empresa com 164 anos de atuação nos segmentos de fitoterápicos, cosméticos e suplementação a partir de insumos da Amazônia, foi uma das 20 empresas locais atendidas individualmente no Road Show. Para o empresário Mauro Athayde, o encontro foi uma oportunidade para identificar quais produtos do portfólio apresentam maior potencial no mercado canadense. Durante o pitch, os dermocosméticos desenvolvidos com ativos e fragrâncias amazônicas despertaram a atenção dos representantes.


“O ponto alto foi a apresentação dos nossos dermocosméticos, especialmente dos sabonetes com fragrâncias da Amazônia, como copaíba e andiroba. São produtos que, segundo os representantes, não são encontrados no mercado canadense e tiveram uma avaliação muito positiva. Isso nos dá uma perspectiva de levar nossos produtos da Amazônia para o Canadá”, afirmou.


Com experiência de exportação para os Estados Unidos e processos de certificação em andamento para outros mercados, Athayde destaca que um dos principais desafios para a internacionalização é atender às exigências regulatórias de cada país. Nesse contexto, a aproximação com quem conhece o mercado de destino pode ajudar a empresa a direcionar melhor seus investimentos.


“Nosso mix tem cerca de 54 produtos. A partir dessa troca, conseguimos identificar aqueles com maior potencial e começar de forma mais assertiva. Na apresentação da nossa linha de sabonetes, por exemplo, houve uma percepção muito positiva sobre a possibilidade de aceitação no Canadá. Isso já nos ajuda a definir por onde começar”, explicou.


Nessas reuniões cada empresa paraense apresentou seus produtos e recebeu informações sobre potencial de mercado, dificuldades e regras de acesso ao Canadá.






 
 

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