Sustentabilidade deixa de ser custo e passa a fazer parte dos negócios no setor industrial do Pará
Atualizado: 26 de jun.

Entre as iniciativas que unem sustentabilidade e inovação na Feira da Indústria do Pará 2026, uma delas transforma resíduos que seriam descartados ou incinerados em matéria-prima para o setor têxtil, incentivando novos profissionais a incorporarem práticas sustentáveis em seus negócios. A ação é desenvolvida no Centro de Tecnologia Têxtil e de Confecção da Amazônia, do SENAI, alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
Clarice Chagas, gerente do Centro de Tecnologia Têxtil e de Confecção da Amazônia do SENAI, explica que o trabalho pedagógico da instituição está alinhado ao ODS 12, voltado ao consumo e à produção responsáveis. “Por meio da metodologia SENAI de ensino, aproximamos os alunos das práticas sustentáveis e ensinamos técnicas de upcycling, ajustes e reformas de forma consciente, para que esses profissionais saiam não apenas com a certificação da maior instituição de educação profissional da América Latina, mas também preparados para atuar na indústria com uma visão sustentável da produção”, destaca.

Segundo a gestora, a atuação junto às indústrias tem contribuído para reduzir em cerca de 40% o desperdício nos processos produtivos. “Esse resultado não está apenas relacionado à reciclagem. No Centro, também trabalhamos a digitalização das modelagens, por meio de um software que otimiza a forma de corte dos tecidos, reduzindo custos e evitando desperdícios”, complementa.
As soluções desenvolvidas pelo Centro Têxtil têm despertado o interesse de empresas em busca de parcerias voltadas à sustentabilidade. Para Clarice Chagas, o setor de confecção no Pará já compreende a sustentabilidade como parte essencial da nova dinâmica da indústria e do mercado.
O presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade da FIEPA (Coemas), Deryck Martins, afirma que a sustentabilidade deve ser incorporada como prática estratégica nos empreendimentos industriais. “Temos avanços importantes no Pará. Quando falamos em bioeconomia, por exemplo, vemos uma quantidade significativa de startups desenvolvendo novos produtos a partir do reaproveitamento de resíduos. O estado também avança na cogeração de energia, consolidando-se como produtor a partir de ativos da floresta, mantendo a atividade dentro dos princípios da sustentabilidade”, afirma.
Para estimular a economia circular, o Coemas lançou recentemente uma plataforma de negócios voltada ao reaproveitamento de resíduos, conectando empresas interessadas em transformar resíduos industriais em matéria-prima e ampliar o ciclo de vida dos produtos.
Segundo Deryck Martins, além dos ganhos ambientais e produtivos, a iniciativa fortalece a reputação das empresas. “Os mercados mais exigentes querem, cada vez mais, produtos com rastreabilidade, origem, legalidade e sustentabilidade. Isso também representa um ganho reputacional para as nossas indústrias locais”, destaca.
A XVII FIPA é uma realização do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Pará (Sistema FIEPA), em parceria com Sebrae e patrocínio das empresas Hydro, Vale, Alcoa, Prefeitura de Barcarena, Sicredi, Elis Circular, Ligga e Mineração Rio do Norte (MRN); com apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), Agropalma, Cargill, Coca-Cola, Hidrovias do Brasil, Saint-Gobain, Suzano, Águas do Pará e apoio cultural da Equatorial Energia.

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