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Mulheres ocupam espaços antes dominados por homens

Mulheres ocupam espaços antes dominados por homens

Mulheres ocupam espaços antes dominados por homens

Se hoje ainda tem gente que olha torto quando presencia uma mulher trabalhando na área da mecânica, em 1997 a reação era ainda pior, recheada de desconfiança e preconceito. Foi diante desse cenário e quebrando todos os tabus de sua época que a Jacqueline Aviz Cintra, 39 anos, decidiu fazer o curso Técnico em Mecânica Automotiva. Hoje, ela é Coordenadora Técnica de uma empresa automotiva em Belém, auxiliando em diagnósticos, treinamentos da equipe e contato com a Fábrica Renault, sendo a primeira mulher formada nesta função pela Renault no Brasil.

 Jacqueline é uma das pioneiras de um número que vem crescendo nos últimos anos: o de mulheres em áreas historicamente dominadas por homens. De 2017 a 2019, por exemplo, o registro de mulheres matriculadas em cursos do SENAI Pará aumentou em 15,7%, e cursos sempre ocupados por homens como Construção Civil e Metalmecânica tiveram, em dois anos, aumentos de 16% e 32% em participação do público feminino, respectivamente.

De um começo difícil, Jacqueline apostou na sua escolha e hoje se considera realizada profissionalmente. “Fazer aquele curso no SENAI foi um marco na época. Eu pensei em desistir logo no começo das aulas, mas me mantive firme, conclui e logo consegui lugar no mercado de trabalho. Venci os tabus e hoje me sinto realizada com a minha escolha”, comenta a profissional, que este ano se forma no curso de Engenharia de Produção.

Caroline Santos tem uma história parecida de quebra de paradigma. Escolheu fazer o curso Técnico em Segurança do Trabalho, entre os anos de 2013 e 2015, visando o sonho de ter uma carreira e a independência financeira. Hoje, lidera a segurança direta e diária de 30 funcionários da empresa onde atua. “Em uma sociedade onde a minha profissão era vista de forma grosseira e machista, eu consegui meu lugar. Tenho muito orgulho do que escolhi para mim”, diz a técnica.

 

Mulheres na Engenharia e Tecnologia 

Áreas como Engenharia e Tecnologia da Informação, antigamente compostas por uma maioria masculina, deverão, num futuro não tão distante, ter um quadro muito mais equilibrado, com um aumento significativo no número de mulheres em atuação.

No mundo, em geral, as mulheres experimentam um crescimento significativo na ciência, que é a base do desenvolvimento da inovação. De acordo com a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi) e o relatório Elsevier Gender in The Global Research Landscape (Gênero no cenário da pesquisa global, em tradução livre), de 2017, mulheres respondem por 40% dos pesquisadores em nove das 12 regiões geográficas analisadas - União Europeia (28 países considerados em bloco), Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, França, Brasil, Dinamarca e Portugal. 

No Brasil, a relação de gênero, em número de pesquisadores, está mais próxima da igualdade: 49% dos autores de pesquisa e artigos científicos são mulheres. Só entre 2011 e 2015, a participação das mulheres cresceu 11% no país - índice semelhante ao da Dinamarca. 

Ações que buscam incentivar a robótica entre crianças e adolescentes têm surtido efeito positivo no aprendizado, e despertado o interesse de meninos e meninas pelo assunto. Para se ter uma ideia, mais de cinco mil estudantes de todo o Brasil se inscreveram para participar dos torneios regionais de robótica promovidos pelo Serviço Social da Indústria (SESI), que é operador oficial no Brasil da FIRST LEGO League, um dos maiores torneios de robótica do mundo. Deste total, 43% (mais de 2 mil e 200) dos estudantes são meninas. O percentual é um dos maiores da série, em 2018, 41% dos inscritos eram meninas. 

A Camili Luz é a primeira mulher da primeira turma de robótica formada pelo SENAI Pará. E já na sua estreia, na Etapa Regional do Torneio SESI de Robótica First Lego League, o seu time conseguiu classificação para a Etapa Nacional do Torneio, que ocorre neste final de semana, em São Paulo. “Por meio da educação podemos ver mais mulheres conseguindo conquistar visibilidade na sociedade, e estar na robótica, de alguma forma representando as mulheres, me dá o sentimento de empoderamento. Quero mostrar que somos capazes de atuar em qualquer área”, diz a estudante de 16 anos.

A diretora de Educação e Serviços Tecnológicos do SENAI Pará, Lúcia Peres, acredita que o interesse das mulheres por cursos de Educação Profissional deve continuar crescendo nos próximos anos. “Na pesquisa, na inovação, na tecnologia e nas engenharias o engajamento das mulheres está cada vez mais evidente, e no segmento industrial isso não será diferente. O SENAI oferta no Pará mais de 200 opções de cursos, em diferentes áreas e especialidades, que não são divididos por gênero. A mulher pode e deve fazer qualquer um que ela desejar, e não tenho dúvida de que se sairá muito bem na sua escolha”, encerra a diretora.

 

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